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Demonstração de força ocorre em momento de baixa

CENÁRIO: Roldão Arruda - O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2014 | 02h 05

O MST decidiu dar uma demonstração de força e ganhar atenção política num momento complicado para a organização. De um lado enfrenta enorme dificuldade para continuar mobilizando, na periferia das cidades, pessoas para ações de ocupação de propriedades rurais - a marca característica do movimento. Com as cidades registrando bons índices de emprego e os programas de transferência de renda em expansão, existem cada vez menos pessoas dispostas a ir para acampamentos de beira estrada para reivindicar terra.

O grosso da massa que marchou ontem era formado por pessoas já assentadas, não por acampados; e suas bandeiras envolviam assuntos que iam muito além da questão agrária.

A bandeira da reforma agrária perdeu a força que tinha há trinta anos, quando nasceu o MST. Nas grandes manifestações de rua ocorridas em junho e que surpreenderam o movimento, ela não figurava nas listas de reivindicações.

Outro fator desfavorável chama-se Dilma Rousseff. Seu governo ouve o MST, aliado histórico do PT, mas o número de desapropriações de terras para a reforma é um dos piores do período da redemocratização. Ela só ganha do presidente Collor de Mello, que ignorou os sem-terra.

Dilma tem outras prioridades. Fala em fortalecer uma nova classe média rural e, por razões eleitorais, busca se aproximar dos ruralistas. Na terça-feira, enquanto o MST anunciava o ato na Esplanada, ela festejava o início da colheita de grãos em Mato Grosso, coração do agronegócio.

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