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Dados ajudam a quebrar mitos da política nacional

CENÁRIO: Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2014 | 02h 08

Quando olhados em conjunto, os registros de filiação partidária no Brasil parecem quebrar alguns velhos mitos sobre o funcionamento da política brasileira. Talvez o principal deles seja o da "política de gabinete", termo usado para descrever conchavos políticos feitos por chefes partidários que, em tese, teriam o poder de determinar o resultado de uma eleição ou a montagem de um governo, por exemplo. É claro que as articulações na cúpula do poder contam bastante para definir candidaturas e apoio político nas eleições estaduais e nacionais, assim como nos maiores municípios. Mas os dados mostram que, nas pequenas cidades, que é onde está o grosso dos cargos eletivos brasileiros, a mobilização popular antes do pleito para engrossar as filiações tem peso considerável no sucesso eleitoral dos partidos.

Essa mesma lógica derruba a ideia comum de que a atividade política no Brasil se concentra nas cidades grandes, onde vive população de maior renda e maior escolaridade. Os registros do TSE mostram justamente o contrário: a média de filiados por eleitor em um município com menos de 5 mil habitantes é quase três vezes maior do que a de uma grande cidade com mais de 200 mil pessoas. A importância desse fenômeno é óbvia: mais filiações significam maiores chances de eleger prefeitos, ou seja, mais apoio nas eleições para o Congresso nos anos seguintes. Isso, por sua vez, influencia no tempo de TV das próximas eleições e, eventualmente, pode culminar em maiores chances de se ganhar uma corrida presidencial.

Por último, há o mito de que brasileiro não quer saber de política. Na verdade, a taxa de filiação partidária no Brasil - ou seja, de pessoas que realmente gastaram seu tempo indo até o diretório de um partido, preenchendo a ficha de filiação e se registrando na Justiça Eleitoral - é maior do que todos os países europeus, com exceção da Áustria e do Chipre.

A média brasileira, como aponta o professor da Unicamp Bruno Speck, é de um filiado a cada dez eleitores, o dobro da registrada na Espanha e o triplo da alemã, por exemplo. Participação e engajamento político significam muito mais do que apenas filiação, mas esses números podem apontar que o senso comum sobre a relação do brasileiro com a política talvez seja um pouco diferente da realidade.

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