Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Com o risco de isolamento, PT mantém Lula candidato

Principal corrente petista decide interditar debate sobre plano ‘B’ para a disputa pelo Planalto; ex-presidente está preso

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 05h00

O PT vai usar a campanha eleitoral deste ano como palco para a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, mesmo que isso signifique o isolamento e prejuízos para o partido na disputa presidencial deste ano. 

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Reunida desde anteontem em São Paulo, a maior corrente interna do PT – Construindo um Novo Brasil (CNB) – reiterou que vai com Lula até o fim e decidiu encaminhar ao Diretório Nacional do partido uma série de medidas para interditar de uma vez por todas as discussões sobre um plano “B”.

As conversas sobre a escolha do vice ficaram para o final de julho. Motivo: a avaliação é que até mesmo a escolha do vice pode dar margem a especulações sobre um plano “B” do partido. 

Um grupo será criado para coordenar a pré-campanha. Nas próximas semanas será montado um comitê físico “Lula Presidente” em São Paulo. O ex-presidente da Petrobrás Sergio Gabrielli será integrado à equipe de programa de governo e as primeiras propostas serão anunciadas assim que forem aprovadas pelo próprio Lula. As disputas internas dentro da própria CNB foram mitigadas em nome da unidade.

Os três eixos da campanha eleitoral serão a defesa da democracia, “nenhum direito a menos” e “Lula livre”. Tudo isso para abafar de vez as insinuações sobre plano “B”.

“Não vai faltar quem nos chamará de isolacionistas ou loucos”, resumiu o ex-ministro Gilberto Carvalho. “Vamos até o fim apostando na reversão deste quadro mesmo sabendo que é difícil. Todas as tratativas vão na con contracorrente de quem diz que ele não é candidato.”

Nos dois dias de reunião da CNB ninguém ousou usar a tribuna para questionar a candidatura de Lula, mas em conversas reservadas ficou evidente a existência de três posições distintas: os lulistas radicais, que defendem a candidatura do ex-presidente até o fim e, caso ele seja barrado pela Justiça, o boicote às eleições; os moderados, maioria, para quem o PT deve escolher outro nome somente depois de esgotada a alternativa Lula; e os que são favoráveis à abertura imediata de diálogo sobre os cenários sem Lula. 

Uma carta enviada por Lula à presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e um relato do tesoureiro do partido, Emídio de Souza, sobre uma visita feita ao petista na cadeia, anteontem, sepultaram as vozes divergentes. “Se eu aceitar a ideia de não ser candidato, estarei assumindo que cometi um crime”, diz o ex-presidente na carta encaminhada a Gleisi.

Delúbio. No primeiro dia da reunião, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares deixou parte dos presentes emocionada ao fazer uma despedida, afirmando que vai voltar em breve para a prisão. Após cumprir pena pelo mensalão, ele foi condenado na Lava Jato.

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