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Com Ideli, petistas se queixam de Dilma e da cúpula do partido

Ricardo Galhardo - O Estado de S.Paulo

19 Março 2014 | 02h 03

Em reunião com ministra, deputados reclamam da articulação política e ouvem cobrança para que defendam governo

O descontentamento com o tratamento político dado pelo Palácio do Planalto aos parlamentares aliados vai muito além das bancadas do PMDB e demais partidos que formam o blocão (PR, PTB e PSC). Em reunião com dez deputados do PT realizada na manhã de ontem, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ouviu manifestações de insatisfação por parte dos próprios correligionários. As reclamações não se limitaram ao governo e atingem também a direção nacional do PT, apontada como uma das responsáveis pela crise com o PMDB na Câmara. As críticas devem ser encaminhadas por integrantes da bancada na reunião do diretório nacional do partido nesta semana.

A principal reclamação dos deputados petistas é a falta de interlocução com o governo. Na reunião de ontem, Ideli prometeu dar mais espaço e "protagonismo" aos parlamentares nas articulações políticas. A bancada petista vai entrar em campo para melhorar a relação com o PMDB.

"O que falta é oportunidade para discutir política. Agora iniciamos um diálogo sobre a relação", disse o líder do PT na Câmara, Vicente Paulo da Silva (SP), o Vicentinho. Segundo ele, até ontem as reuniões com a ministra responsável pela articulação política se resumiam a informes sobre a pauta de votações no Congresso. Ao fim do encontro, Ideli se comprometeu a voltar a se encontrar com os deputados para discutir política.

Entre os motivos de insatisfação da bancada estão a falta de consultas por parte da presidente Dilma Rousseff nas decisões importantes do governo - como as escolhas de ministros - e a demora na liberação de emendas para os parlamentares. Alguns deles disseram que a troca de Gleisi Hoffmann por Aloizio Mercadante na chefia da Casa Civil não melhorou a relação com o Congresso.

Cobrança. Ideli, por outro lado, também reclamou da atuação de setores da bancada no auge da crise com o PMDB. Ela teria dito, segundo relatos, que algumas lideranças petistas se aliaram aos peemedebistas e ajudaram a insuflar a crise, em vez de defenderem o governo.

Outro motivo de insatisfação é a montagem dos palanques regionais e a insistência na manutenção de candidaturas próprias do PT em Estados onde aliados reivindicam apoio petista. Nesse ponto sobraram críticas à atuação do presidente nacional do partido, Rui Falcão.

De acordo com os críticos, o presidente do PT errou ao insistir na candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio de Janeiro contra Luiz Fernando Pezão (PMDB), o maior foco de conflitos entre os dois partidos.

Embora a cúpula petista trate a questão do Rio como inegociável, alguns parlamentares voltaram a bombardear a candidatura de Lindbergh usando como argumento a incapacidade do senador em fazer coligações.

Rui Falcão corre para atenuar a tensão antes da reunião do diretório nacional do partido, marcada para quinta e sexta-feira, em Brasília. Ainda hoje o presidente do PT se reúne com Vicentinho e à noite participa de jantar com um grupo de petistas descontentes no apartamento do deputado paulista Ricardo Berzoini (PT).

Vicentinho confirmou a existência de setores insatisfeitos na bancada, mas disse que, ao contrário do PMDB e demais aliados, a rebeldia petista não deve se tornar pública. "Insatisfações existem, fazemos nossas críticas, mas temos de conversar sobre isso internamente. Não é papel de qualquer deputado do nosso partido reclamar diante da imprensa", disse.

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