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Chuva atrapalha buscas de desaparecidos no AM

José Maria Tomazela / SOROCABA e Chico Siqueira, Especial para o Estado / ARAÇATUBA - O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2014 | 02h 04

Tensão entre índios e moradores continua em Humaitá; três homens sumiram no dia 16 de dezembro em reserva

As chuvas intensas que atingiram nessa quarta-feira, 1º, a região sul do Amazonas atrapalharam as buscas pelos três homens desaparecidos desde 16 de dezembro na Terra Indígena Tenharim Marmelos, entre Humaitá e Manicoré. Os três amigos seguiam de carro pela Rodovia Transamazônica (BR-320) e, segundo moradores de Humaitá, teriam sido mortos pelos índios tenharim em represália ao suposto assassinato de um cacique.

Uma força-tarefa da Polícia Federal, Força Nacional, Exército e polícias locais tenta encontrar pistas, mas o mau tempo impediu o sobrevoo da área e dificultou a operação na mata com cães farejadores. Ontem à tarde, as equipes se concentraram no km 135 da rodovia no interior da reserva, à espera de uma trégua da chuva para realizar mais um incursão na mata.

A PF dividiu o comando das operações na área. Para conduzir o inquérito que apura o desaparecimento dos três homens - o professor Stef Pinheiro de Souza, o comerciante Luciano Ferreira Freire e o técnico Aldeney Ribeiro Salvador - e a destruição do patrimônio pela população de Humaitá, foi designado o delegado Evandro Escobar. O delegado Alexandre Alves conduz as buscas dos desaparecidos.

Apesar de as autoridades terem atendido aos apelos da população e iniciado as buscas, a situação continua tensa na região, conforme relatos de moradores e familiares das vítimas. A fim de evitar novos distúrbios, a festa de réveillon que seria realizada na praça central de Humaitá foi cancelada. A Polícia Militar também reforçou o número de soldados nas ruas.

Passeata. Atendendo a um apelo do bispo de Humaitá, d. Francisco Merkel, líderes religiosos organizaram ontem à tarde uma passeata pela paz na região. Moradores portando bandeiras brancas se concentraram no prédio da Universidade Estadual do Amazonas. De acordo com d. Francisco, o objetivo é reduzir a tensão entre moradores e índios. Desde 25 de dezembro, quando a população incendiou a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), a Casa do Índio, veículos e um barco usados no atendimento a populações indígenas, os índios têm se mantido afastados da cidade.

Segundo o bispo, a relação entre indígenas e moradores piorou depois que os índios passaram a cobrar pedágio no trecho da Transamazônica que corta a reserva. A rodovia liga Humaitá a Apuí, Manicoré e cidades do sul e sudeste do Pará, como Marabá. Na segunda-feira, quando os 140 índios que estavam sob proteção do Exército no 54.º Batalhão de Infantaria de Selva desde o ataque às instalações indígenas, no Natal, foram levados de volta à reserva, caciques de cinco aldeias concordaram em suspender a cobrança do pedágio.

Familiares dos três desaparecidos dizem que as buscas estão sendo manipuladas pelos índios para que as equipes não encontrem os corpos. "Os índios estão tapeando as equipes porque temem a reação da população, caso sejam confirmadas as mortes dos nossos familiares", afirma Célia Leal Santos, mulher do técnico Aldeney Salvador. Ela diz que as equipes receberam um mapa de onde estariam os corpos, mas não fizeram as escavações nos lugares corretos porque foram influenciadas pelos índios. Segundo Célia, os tenharins estariam sendo orientados pela Funai a não entregar os corpos para evitar conflitos. Nenhum representante da Funai em Brasília foi localizado pela reportagem.

Hoje está marcada uma reunião entre familiares dos desaparecidos e representantes da Polícia Federal para discutir os rumos das buscas. Os familiares temem que as buscas sejam encerradas sem que o caso seja resolvido. "Se acontecer isso não sabemos qual será a reação dos moradores", diz Célia. Segundo ela, os moradores estão revoltados porque não é a primeira vez que pessoas desaparecem na área indígena. "Isso já aconteceu outras vezes. A população está revoltada."

Abaixo-assinado. Em Santo Antônio do Mapuí, um distrito rural que reúne 12 mil moradores e 34 madeireiras, é possível dimensionar a tensão entre moradores da região e índios. Um abaixo-assinado pede a punição dos responsáveis pelo desaparecimento, o afastamento das aldeias da Transamazônica para que a população não tenha mais contato com a comunidade indígena e a proibição de filhos de índios nas escolas no distrito. Segundo os autores do abaixo-assinado, uma das explicações para a reação contra os índios, após mais de 40 anos de convivência pacífica, está no excesso de proteção que os indígenas recebem da Funai e das autoridades federais.

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