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Campos impõe a Marina nome do PSB para disputa paulista

Isadora Peron e João Domingos, de O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2014 | 02h 04

Provável candidato do PSB diz a aliada que Márcio França será candidato; marineiros resistem ao nome

BRASÍLIA - O governador de Pernambuco e provável candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, avisou a ex-ministra Marina Silva de que o candidato do partido ao governo de São Paulo será o deputado Márcio França, presidente do PSB paulista. Após se reunir com integrantes da cúpula do PSB em Brasília na terça-feira, Campos ligou para conversar com Marina, que teria ficado de avaliar a indicação. Ontem, ela passou o dia em reunião com aliados para discutir o assunto.

Pela manhã, ao participar de evento em Salto (SP), Marina confirmou ao Estado que a coligação PSB-Rede terá candidato próprio em São Paulo, mas disse que o nome ainda não estava definido. Questionada se havia consenso na indicação de França, Marina afirmou que o deputado era uma das opções, mas que há outras sendo estudadas. "É um nome que está colocado, sem sombra de dúvidas. Mas outros nomes já tinham se colocado", disse a ex-ministra. Ontem, a Rede divulgou nota informando que a indicação ainda não foi definida.

O nome de França não é bem recebido pelos marineiros. Ele era o principal defensor do apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e chegou a ser cotado para ser o vice do tucano. Mas seus planos foram frustrados com a entrada de Marina no PSB, em outubro do ano passado, após o registro da Rede Sustentabilidade ser negado pela Justiça Eleitoral.

Quando Campos começou a dar sinais de que optaria pela candidatura própria no Estado, França passou a dizer que o nome natural era o dele. Como detém a máquina do partido no Estado, argumentava que sairia vencedor se houvesse uma prévia. Na terça-feira, Campos perguntou se a intenção dele se candidatar era verdadeira. Ele respondeu que não abriria mão da disputa e que, se quisessem lançar outro nome, seria preciso uma intervenção no diretório estadual.

A candidata dos sonhos de Marina era a deputada federal Luiza Erundina (PSB). Ela, no entanto, recusou o convite e embolou as negociações. No fim de janeiro, o vereador Ricardo Young (PPS), aliado de Marina, lançou-se ao governo paulista numa tentativa de pressionar o PSB a desistir de indicar França. Outro nome sugerido pela Rede era o do deputado licenciado Walter Feldman (PSB).

Resistência. Um aliado de Marina próximo à militância paulista da Rede diz que o grupo não aceitará França como candidato. Mesmo que Marina chancele a escolha de Campos, a Rede vai trabalhar por uma candidatura alternativa no Estado. A ideia é apoiar ou o candidato do PV, vereador Gilberto Natalini, ou do PSOL, filósofo Vladimir Safatle.