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Campos aposta no Rio como 'porta de entrada' no Sudeste

LUCIANA NUNES LEAL / RIO - O Estado de S.Paulo

01 Março 2014 | 02h 33

Presidenciável do PSB planeja herdar o forte eleitorado marineiro no Estado para vencer no 3º colégio eleitoral do País

Diante da polarização entre PT e PSDB em São Paulo e da liderança do tucano Aécio Neves em Minas Gerais, o futuro candidato do PSB a presidente, Eduardo Campos, vê no Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral do País, uma porta de entrada no Sudeste, onde ainda é desconhecido.

Por isso, vai aproveitar o seminário da aliança PSB-Rede-PPS, dia 15 de março, no Rio, para reforçar a parceria com a futura candidata a vice, Marina Silva.

Campos pretende beneficiar-se, ao menos em parte, do bom desempenho da Marina no Estado do Rio em 2010 - então candidata do PV, ela ficou em segundo lugar na disputa presidencial, nove pontos à frente do tucano José Serra. O pré-candidato do PSB aposta no perfil "novidadeiro" do eleitor fluminense.

Ao contrário de São Paulo e Minas Gerais, onde a Rede de Marina e o PSB de Campos divergem sobre as alianças para o governo do Estado, no Rio de Janeiro o governador de Pernambuco está entre duas opções que agradam à aliada: ou apoiar o pré-candidato do PROS, deputado Miro Teixeira, ou ter candidatura própria, com o deputado Alfredo Sirkis (ex-PV). Tanto Miro quanto Sirkis são próximos de Marina e trabalharam pela formação da Rede, que acabou não sendo formalizada como partido a tempo.

"Marina pode ajudar a criar uma identificação do eleitorado com Campos. Pode ser um elemento facilitador, mas não garantidor. Por isso ele tem que estar vinculado a uma proposta local. Por isso coloquei minha pré-candidatura", diz Sirkis.

Terceira via. Pesquisador da geografia do voto no Rio e em São Paulo, o professor da PUC-Rio Cesar Romero Jacob diz que é difícil prever para onde vão os 20 milhões de votos de Marina de 2010, mas faz uma ressalva pouco animadora para a aliança: "A terceira via não existe de forma consistente no Brasil". Ele lembra que Leonel Brizola ficou em terceiro lugar em 1989 e desapareceu em 1994, quando perdeu para Enéas Carneiro. Este sumiu em 1998, quando Ciro Gomes foi o terceiro. E Ciro, em 2002, perdeu o terceiro lugar para Anthony Garotinho. Terceira em 2006, Heloísa Helena agora é vereadora em Maceió. "Se Marina ajudar a levar Campos ao segundo turno, será uma grande novidade", afirma.

O professor constatou que, no Rio, Marina teve eleitores de perfis muito diferentes: o admirador do PSDB dos bairros ricos insatisfeito com a campanha de Serra, o eleitor de esquerda dos bairros de classe média decepcionado com Lula, o eleitorado evangélico ligado à Assembleia de Deus morador dos bairros pobres da periferia; e os simpáticos à causa ambiental. "Este ano, o PT terá candidato próprio e o PMDB do Rio parece que vai caminhar com Aécio Neves."

"O que percebo é que Marina cresceu em relação a 2010", contrapõe o pré-candidato do PROS no Rio, Miro Teixeira. Para ele, Campos é uma boa figura política. "Acredito que suas propostas serão bem acolhidas no Rio", afirma.

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