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Campanha petista discute assumir compromissos na área econômica

Comitê de Dilma avalia ser necessário dar algumas garantias ao mercado, como fez Lula nas eleições de 2002

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Vera Rosa,
O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2014 | 00h05

BRASÍLIA - Preocupada com o novo cenário eleitoral, a presidente Dilma Rousseff pretende destacar, no programa eleitoral de TV, os compromissos com a política econômica e industrial em eventual segundo mandato do PT. 

Desde que a candidata do PSB, Marina Silva, passou a ameaçar a liderança da presidente nas pesquisas de intenção de voto, o comitê da reeleição avalia a melhor forma de Dilma “dizer claramente para o mercado como vai melhorar a economia”, a exemplo do que propôs o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Dirigentes do PT chegaram a sugerir uma edição “repaginada” da Carta ao Povo Brasileiro, documento com o qual Lula acalmou investidores, na eleição de 2002, prometendo respeitar contratos e manter os pilares da estabilidade econômica. Dilma ainda resiste a essa alternativa, mas estuda a possibilidade de fazer um pronunciamento, na propaganda de TV, para sinalizar suas prioridades nessa área, na tentativa de desfazer o clima de desconfiança. 

Na semana passada, amigos e parlamentares do PT conversaram com Lula, no Instituto que leva o seu nome, em São Paulo, e manifestaram angústia com o atual quadro da disputa. Argumentaram que Dilma corria risco real de ser derrotada por Marina e pelo menos dois deles perguntaram diretamente se Lula aceitaria substituir a presidente na chapa, caso o cenário eleitoral ficasse dramático para o PT. 

Água subindo. Um dos interlocutores de Lula usou a seguinte ilustração para resumir o clima de preocupação na campanha de Dilma: “A água bateu no joelho.” O ex-presidente, porém, desautorizou a movimentação do “Volta Lula”, pediu aos petistas que ajudassem Dilma e cobrou mais mobilização nas ruas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que o candidato pode ser substituído até 15 de setembro. 

Dividido, o PT ainda procura um jeito de desconstruir a ex-petista Marina - ministra do Meio Ambiente no governo Lula, de 2003 a 2008 -, sem deixar de dar estocadas em Aécio Neves (PSDB). A economia é o calcanhar de Aquiles de Dilma nessa campanha e, para piorar, o IBGE anunciou na sexta-feira que o PIB do segundo trimestre encolheu 0,6% - índice que, em outras palavras, significa “recessão técnica”. A expressão é rejeitada pelo PT. 

“Marina e Aécio estão de braços dados em termos de conselheiros econômicos. Eles sim é que, no passado, seguiram a cartilha da recessão”, afirmou o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. A candidata do PSB tem a seu lado André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, e Aécio anunciou que, em caso de vitória, nomeará Armínio Fraga, presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Fazenda. 

“É a linha do neoliberalismo na veia”, alfinetou Berzoini. “Os dois candidatos falam em menos Estado e em redução de gastos, mas quem conhece finanças públicas sabe que isso significa corte de investimentos públicos, de despesas sociais, recessão e desemprego.” 

Joias da coroa. Agora, a ordem do comitê da reeleição para os ministros é reforçar a campanha nas capitais e nas cidades-polo batizadas de “jóias da coroa” para intensificar a disputa política. “Acabou a fase da ‘boa moça’. 

Chegou a hora de a onça beber água”, disse o deputado José Guimarães (CE), vice-presidente nacional do PT. “Os tucanos estão se deixando levar pela ascensão de Marina e fazendo corpo mole. Vamos partir para o enfrentamento.” / COLABOROU RICARDO BRITO

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