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Campanha admite que Aécio usou aeroporto de Cláudio

Texto interno diz que tucano utilizou pista em 'operação ocasional' e de maneira legal, mas Anac contesta argumento; candidato se recusa a responder

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Pedro Venceslau,
O Estado de S.Paulo

30 Julho 2014 | 02h03

A campanha do senador Aécio Neves reconheceu ontem que o candidato tucano à Presidência usou o aeroporto de Cláudio, no interior de Minas Gerais, apesar de o local não ter sido homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para receber pousos e decolagens.

Desde que o jornal Folha de S.Paulo revelou, no último dia 20, que o governo de Minas Gerais - durante o segundo mandato de Aécio - gastou quase R$ 14 milhões para construir o aeroporto dentro de um terreno desapropriado da fazenda de um tio-avô do candidato tucano, ele se recusa a responder se usa ou não a pista, localizada a 6 km da propriedade de sua família.

O episódio abriu a primeira crise na campanha tucana. Para tentar tirar o caso do noticiário, a equipe de Aécio produziu um documento - "Voos ocasionais para a pista de Cláudio/MG; Aspectos da legalidade" - no qual cita uma norma da Anac que permitiria "operação ocasional" de helicópteros em aeroportos não homologados.

"Os voos realizados pelo presidenciável Aécio Neves para a pista em Cláudio/MG foram feitos totalmente em conformidade com a legislação vigente. Trata-se de operações denominadas operação ocasional", diz o texto da campanha que foi produzido a pedido de senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), candidato a vice na chapa de Aécio, e enviado por sua assessoria ao Estado.

Pela norma citada, o operador do helicóptero poderia utilizar o local "desde que tenha tomado as providências cabíveis para garantir a segurança da operação da aeronave".

A Anac, porém, contesta o argumento. "Esse trecho do regulamento só é válido para operações realizadas exclusivamente por helicópteros (aeronaves de asa rotativa), e em helipontos ainda não homologados", informou o órgão. Ainda segundo a Anac, os aeroportos não homologados só podem ser utilizados para casos de "emergência em voo, para evitar incidente/acidente".

A assessoria de Aécio não respondeu se ele utilizou aviões ou helicópteros para viajar até Cláudio. Depois que o caso foi revelado, a Anac começou a investigar a movimentação no aeroporto.

Ontem, em Brasília, o candidato do PSDB evitou novamente o tema e disse ser "irrelevante" a informação sobre o uso do local. "Vou responder quando achar adequado." / COLABORARAM ERICH DECAT e DÉBORA BERGAMASCO

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