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Câmara poderá suspender mandato de tucano

Eduardo Bresciani - O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2014 | 02h 08

Deputados vão decidir em votação aberta destino de Carlos Alberto Leréia, do PSDB goiano, que mantinha ligações com Cachoeira

BRASÍLIA - Após cassar anteontem o mandato do deputado presidiário Natan Donadon (sem partido-RO), a Câmara terá de decidir em votação aberta se suspende por 90 dias o mandato de Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), parlamentar citado nas investigações que levaram à prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira, há quase dois anos.

O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse ao Estado que vai colocar o tema em plenário até março. O PSDB evita se pronunciar oficialmente, mas nos bastidores correligionários argumentam que o parecer pela punição baseia-se apenas na amizade de Leréia com Cachoeira e não em qualquer ato praticado.

Na representação analisada no Conselho de Ética, pede-se a investigação da conduta de Leréia devido a empréstimos que o tucano recebeu de Cachoeira e a compra de um terreno em sociedade com o contraventor. O primeiro relatório no conselho, que pedia a cassação, foi derrubado e o colegiado optou pela suspensão de 90 dias atendendo ao parecer de Sérgio Brito (PSD-BA).

Relação 'estreita'. Em seu relatório, Brito diz que, apesar de não terem sido comprovadas as acusações, o colega deve ser suspenso por sua íntima relação com Cachoeira. "Ainda que do recebimento de dinheiro pelo deputado Leréia ou da formalização de empréstimos não se tenha podido deduzir, com base nas provas colhidas, a prática de nenhum ato ilegal, as estreitas relações entre ele e contraventor implicaram inevitável abalo à credibilidade da Câmara", diz.

Cumprido o calendário fixado por Alves, o processo será julgado em plenário quase dois anos após as primeiras revelações. Ainda que o tempo tenha ajudado a diluir a polêmica, o fato de a decisão ocorrer com voto aberto pode levar a punição a ser aprovada, como ocorreu no caso de Donadon.

A investigação sobre Leréia começou após a divulgação de diversos telefonemas grampeados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desbaratou o esquema de Cachoeira.

Enquanto no Senado houve um rito acelerado para cassar o então senador Demóstenes Torres (ex-DEM-TO), na Câmara os processos contra os deputados citados foram conduzidos lentamente. Com o caso perdendo espaço, a Corregedoria da Câmara concluiu sua comissão de sindicância absolvendo três parlamentares - Sandes Júnior (PP-GO), Rubens Otoni (PT-GO), Stepan Nercessian (PPS-RJ) - e dando prosseguimento apenas ao caso do tucano.