Cachoeira espelha 'papel'

Com 42 anos de vida artística, com 35 filmes e 40 novelas e programas no currículo, o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ) usou jargões da profissão para pedir auxílio ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira. "Depois eu quero falar com você porque aquele papel que vou fazer lá na novela, eu queria conversar contigo pra pegar umas dicas de como é", pede Stepan. O contraventor havia ligado para Stepan, na época vereador do Rio, para parabenizá-lo pela sua recondução ao cargo.

ALFREDO JUNQUEIRA , ENVIADO ESPECIAL / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2012 | 03h03

As conversas foram captadas pela Operação Vegas, em outubro de 2008. Stepan passa então o telefone para Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que já era deputado federal e se identifica como diretor da Globo e reforça o pedido para Cachoeira ajudar Stepan, "para ele poder interpretar o senhor bem na novela". Cachoeira não levou o pedido de Stepan a sério. E não há registros de que Stepan tenha participado de novela no papel de contraventor, empresário, articulador político ou lobista. A PF não confirmou se a conversa representava algum tipo de código.

Mas, se não pôde colaborar com o deputado na época, Cachoeira não se negou a atender a outro pedido três anos depois. Em junho de 2011, Stepan pediu empréstimo no valor de R$ 179 mil, para quitar a compra de um apartamento. Stepan alega ter devolvido a quantia. Esse pedido, no entanto, transformou Stepan em alvo de inquérito iniciado na semana passada no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Minhas conversas com o Carlinhos eram só bobagem. Até porque eu não preciso do Cachoeira para fazer papel nenhum", disse o deputado ao Estado. "Nas nossas conversas sobre o Botafogo, eu falo pra ele comprar o Messi."

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