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Brancos e nulos se transformam em voto na oposição

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2014 | 09h 13

ANÁLISE: José Roberto de Toledo

A mudança de cenário retratada pelo Datafolha é muito mais consistente do que a esboçada pelo Sensus. Não foi apenas Aécio Neves (PSDB) que cresceu, mas toda a oposição. Mais importante, os votos não foram uma transfusão de Dilma Rousseff (PT) para o tucano, mas saíram principalmente da coluna de brancos e nulos.

A corrida eleitoral segue como esperado: o desejo de mudança que primeiro inflou o não voto vai transformando, aos poucos, o descontentamento desse eleitor em intenções de voto nos candidatos da oposição. Aumentaram seis pontos em um mês, segundo o Datafolha. Foram de 32% para 38% do eleitorado, empatando tecnicamente com Dilma, que oscilou de 38% para 37%.

A soma dos que haviam dito que votariam em branco, anulariam ou não sabem responder caiu de 29% para 22%. Significa que, embora muitos eleitores estejam descontentes com os políticos em geral, eles parecem mais insatisfeitos com Dilma do que com seus adversários. À medida que os conhecem melhor, têm mais chance de declarar voto neles do que nela.

Foi o que aconteceu com Aécio. O tucano teve exposição acima da média desde meados de abril, fruto de uma bem encenada coreografia que projetou a imagem do candidato. O PSDB oficializou sua pré-candidatura, antecipou seu horário de rádio e TV e contou com duas pesquisas eleitorais favoráveis que repercutiram os movimentos anteriores.

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