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Bastidores: Caso Moura expõe crise na campanha de Padilha

Ricardo Galhardo - O Estado de S.Paulo

09 Julho 2014 | 02h 07

A decisão judicial que suspendeu os efeitos da convenção estadual do PT de São Paulo a pedido do deputado Luiz Moura não é o centro da preocupação da direção petista, mas ajudou a expor as disputas internas no comando da campanha de Alexandre Padilha.

A exemplo da torcida do Brasil que busca explicação pela goleada de 7 a 1 para a Alemanha, o clima na campanha de Padilha é de caça às bruxas, impulsionado pelo fraco desempenho nas pesquisas de opinião. Segundo o Datafolha, Padilha tem apenas 3%, apesar de toda a estrutura e apoio empenhados pelo PT.

Petistas próximos ao ex-ministro reclamaram, em conversas reservadas, do fato de Emidio de Souza, presidente estadual do PT e coordenador-geral da campanha, não estar em São Paulo ontem para acompanhar pessoalmente a questão judicial envolvendo Moura.

Emidio, que é divorciado, aproveitou a primeira semana das férias escolares para viajar com os três filhos. Ele deve voltar a São Paulo apenas no fim de semana. Participou, no entanto, de todas as decisões de ontem por telefone.

Por outro lado, integrantes da direção estadual do PT reclamam do próprio Padilha, que estaria cercado por um grupo restrito de assessores - na maior parte egressos do Ministério da Saúde -, limitando o poder do partido na definição dos rumos da campanha estadual.

A maior crítica é em relação ao discurso do candidato, segundo petistas, muito distante das bandeiras do partido. Um exemplo é a posição dúbia de Padilha em relação à desmilitarização da Polícia Militar.

As insatisfações chegaram ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fiador da candidatura do ex-ministro. Lula cobrou do candidato "falar mais para o nosso povo", ou seja, assumir as bandeiras do PT de forma a garantir pelo menos o apoio dos eleitores fiéis ao partido que, nas contas petistas, passam de 15% dos eleitores paulistas.

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