Base aliada centrará fogo em Perillo

Tentativa é desviar o foco de Lula e aprovar na sessão de hoje da CPI a convocação do governador de GO, poupando Agnelo, Cabral e Delta

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h06

Desgastada com a revelação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manipularia a CPI do Cachoeira para "acabar com a farsa do mensalão", a base aliada, liderada pelo PT, está decidida a focar as investigações no governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

A estratégia é preservar, neste primeiro momento, os governadores do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do PMDB. A matriz da Delta Construções também deverá ser poupada.

"Não tem sentido a quebra de forma indiscriminada do sigilo da Delta", afirmou ontem o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). "Não podemos fugir do foco. Não é uma CPI das empreiteiras", concluiu.

Tatto confirmou que a ideia é aprovar hoje, na sessão administrativa da CPI, apenas a convocação de Perillo. Com essa estratégia, os aliados pretendem desgastar a oposição, em especial os tucanos que aparecem envolvidos no esquema ilegal do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Vão transformar o Marconi em vítima. Não pode convocar um e deixar os outros para trás", disse a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). "Então, vamos convocar todos os governadores que têm contratos com a Delta", defendeu.

Em reação à manobra do PT, os partidos de oposição entraram ontem com uma representação na Procuradoria-Geral da República para investigar o ex-presidente Lula, que teria tentado influenciar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar o julgamento do mensalão.

"A única coisa que o PT pede é que a Corte não faça um julgamento político e se baseie em coisas técnicas. A CPI não tem relação nenhuma com o que aconteceu no STF", argumentou Tatto.

Ao garantir que "ninguém controla a CPI", o presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), preferiu não se manifestar sobre o episódio envolvendo o ex-presidente da República. Lembrou apenas que, dos três participantes da conversa, dois negaram.

Para o presidente da CPI, o ministro Mendes não precisa ser convocado. Amigo do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com o esquema de Cachoeira, Gilmar Mendes viajou com o parlamentar para Berlim.

Estratégia. Vital do Rêgo afirmou ainda desconhecer qualquer acordo para aprovar hoje apenas a convocação de Perillo. Mas confirmou que os requerimentos de convocação dos governadores serão votados separadamente, e não em bloco, como defende a oposição. Dessa forma, os aliados poderão aprovar a convocação do tucano, derrubando os requerimentos dos governadores do DF e do Rio.

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