Após reeleição, crise hídrica e obras do metrô devem dominar agenda de Alckmin

Após reeleição, crise hídrica e obras do metrô devem dominar agenda de Alckmin

Alckmin ainda vai participar da campanha de Aécio Neves à Presidência e repensar a formação de sua equipe de governo

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2014 | 01h28

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito para o seu quarto mandato à frente do Executivo paulista com ampla vantagem sobre seus adversários, mesmo em meio à crise hídrica, considerada a pior da história. A partir de hoje, o governador volta a se dedicar exclusivamente à própria gestão.

Apesar de descartar a possibilidade de racionamento de água para o ano que vem, o tema será tratado com “urgência” pelo governador. Ele cobrará mais resultados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa responsável pela distribuição de água, e também vai pressionar pela agilidade do cronograma das obras para o setor.

A Sabesp deve entregar nesta segunda-feira, 7, o plano de contingência do Sistema Cantareira para a Agência Nacional de Águas (ANA). Nele, espera-se que o governo defina limites de captação para cada cenário de chuvas. Ou seja, pôr no papel qual o limite para decretar um racionamento.

O principal canteiro de obras no setor hídrico é o do Sistema Produtor São Lourenço, que vai captar água na Bacia do Rio Ribeira de Iguape e ajudar a abastecer a Grande São Paulo, hoje em grande parte suprida pelo Cantareira. O investimento, superior a R$ 2 bilhões, será bancado pelo consórcio privado.

As obras, cujo início era previsto para 2012, serão concluídas em 2018. É a primeira de porte do governo para captar água em bacia distante da Grande São Paulo. A capital não está incluída entre os municípios a serem atendidos. Estão na lista Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista.

Neste domingo, o Cantareira chegou a 6% da capacidade – pior nível registrado no sistema – e opera desde maio com a primeira parte do volume morto. Se o índice de chuvas permanecer como está, a previsão dos técnicos é de que o sistema garanta água até o dia 21. Depois disso, a Sabesp vai acionar o bombeamento da segunda cota do volume morto – cerca de 106 bilhões de litros, que garantiriam o abastecimento até abril.

Campanha. Alckmin só deve desviar sua atenção do governo durante as vindas a São Paulo do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Dirigentes do PSDB pretendem fazer com que Aécio turbine sua agenda no Estado.

Em seu pronunciamento, depois de confirmada a vitória, Alckmin disse que é o “momento de São Paulo fazer a diferença” e prometeu empenho na campanha presidencial. “Aécio vai poder contar conosco a partir de agora. Eu e o Serra já tentamos (a Presidência) e bateu na trave. Agora, quem vai fazer o gol é o povo brasileiro. E, como diz Ronaldo, o Fenômeno, de virada é sempre melhor”, disse o tucano, sob aplausos dos militantes durante o discurso feito no diretório do PSDB paulista, na zona sul da capital.

Mais tarde, em festa com 150 militantes no Clube Esperia, na zona norte, o governador comemoração a eleição de José Serra para o Senado e dos deputados do partido, com ênfase para o Coronel Telhada, que teve “uma votação extraordinária”. “Foi uma vitória de valores e crenças”, disse, sobre os resultados do partido.

Atrasos. Alckmin quer também zerar os atrasos de cronograma nas obras do metrô. Em 2014, o governo entregou só uma estação – a de Adolfo Pinheiro, da Linha 5-Lilás. A Fradique Coutinho, da Linha 4-Amarela, deve ser entregue ainda em outubro, com atraso. A obra começou em 2005 e a previsão inicial era 2010.

Aliados do governador afirmaram ainda que ele deve enxugar as despesas do Palácio dos Bandeirantes. Já ordenou corte dos gastos com as contas de água, luz e também com os aluguéis pagos pelos imóveis ocupados por algumas pastas.

Comando. O governador completará dez anos no comando do Estado, metade do tempo em que o PSDB está no poder do Executivo paulista. Agora, deve começar a repensar a sua equipe para o próximo mandato. A principal mudança deve acontecer na Casa Civil, ocupada por Saulo de Castro – ele substitui Edson Aparecido, que deixou o comando da pasta para assumir a coordenação de campanha. O governador deve dividir as atribuições da Casa Civil entre os dois.

Outro nome que deve deixar o primeiro escalão é o do secretário de Transportes, Jurandir Fernandes, cuja gestão foi marcada por polêmicas como o cartel dos trens e o atraso na entrega de obras. / COLABORARAM CAIO DO VALLE E FELIPE MORTARA

Mais conteúdo sobre:
ELEIÇÕES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.