1. Usuário
Assine o Estadão
assine

governos-chave

Após prisão, Arruda tenta voltar ao poder no DF

Ex-governador do Distrito Federal, alvo de processos no STJ, está entre os candidatos ao governo

João Domingos

Preso enquanto ocupava o mandato de governador, em 2009, depois da divulgação de um vídeo em que aparecia recebendo R$ 50 mil de propina, José Roberto Arruda prepara a volta à política no Distrito Federal. Apesar dos vários processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e da possibilidade de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, ele está entre os candidatos a governador pelo PR.

Fotos: Estadão

Adesivos com os dizeres "Antes era melhor" e "Ah, que saudade" já podem ser vistos em veículos presos nos tradicionais e gigantescos engarrafamentos das manhãs e tardes de Brasília. Um deles ocorre invariavelmente na Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG), cujo corredor exclusivo de ônibus, feito por Arruda, nunca foi utilizado, porque as paradas foram construídas à esquerda da via, mas os veículos só têm porta do lado direito. No início de julho, o ex-governador foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça por envolvimento no esquema conhecido como mensalão do DEM.

Sem problemas na Justiça, também vão concorrer ao governo o atual governador, Agnelo Queiroz (PT), e o senador Rodrigo Rollemberg, do PSB. Agnelo sofre grande rejeição por parte do eleitorado. De acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada no dia 13 de dezembro de 2013, ele tinha apenas 9% de avaliação "ótimo" e "bom". No ranking dos piores, só perdeu para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), a campeã absoluta dos mais mal avaliados. Agnelo pretende repetir a dobradinha com o PMDB, que indicou o vice Tadeu Filippelli. A dupla dará palanque a presidente Dilma Rousseff.

Pelo PSDB, o candidato é o deputado federal e empresário Luiz Pitiman, que era ligado a Filippelli e foi secretário de Obras de Agnelo no começou do mandato, mas rompeu posteriormente. Pitiman é o palanque de Aécio Neves (PSDB) em Brasília. Ao todo, são seis candidatos ao governo do DF. Completam o quadro Antônio Carlos de Andrade (PSOL) e Perci Marrara (PCO).

Já Rodrigo Rollemberg pretende montar o palanque para Eduardo Campos (PSB). Os aliados de Rollemberg esperam que o apoio de Marina Silva, a vice de Campos, os ajude a vencer a eleição pelo governo local. Na eleição presidencial de 2010, o Distrito Federal foi a única unidade da Federação em que Marina venceu. No primeiro turno, ela obteve 42% dos votos, contra 32% de Dilma Rousseff e 24% de José Serra.

O Distrito Federal, com cerca de 2 milhões de eleitores, é o 19.º maior colégio eleitoral entre as unidades da Federação. Sua importância política se dá mais pelo simbolismo de sediar as principais instituições da República.

Cenário. Ilha de riqueza cercada pela pobreza, Brasília apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhante ao da Suécia, resultado da ampla estabilidade dos empregos que o funcionalismo público oferece nas mais variadas faixas e também de um aquecido setor de serviços.

Longe da região central, conhecida como Plano Piloto e formada pela Asa Sul, Asa Norte, Lago Sul e Lago Norte, o cenário é diferente. Apesar de algumas cidades-satélites terem melhorado seus indicadores nos últimos anos, como Taguatinga e Ceilândia, em outras a situação é bem precária. Para piorar, a região conhecida como Entorno, que fica em Goiás e Minas Gerais, virou um dos principais polos de migração do País e conta com cidades cada vez mais populosas, todas a pressionar o Distrito Federal.

Nessa situação, a falta de segurança passou a ser o principal problema. As estatísticas registram um número crescente de assassinatos, assaltos, roubos e sequestros relâmpagos, sendo esses os que mais atemorizam as classes média e alta brasiliense. Para o sociólogo Fernando Jorge, um estudioso dos problemas da capital desde 1962, o fato de Brasília parecer uma ilha rica cercada de pobres a condena à violência. "Todo mundo fica de olho num pequeno pedaço do paraíso."

Segundo Jorge, a falta de segurança de Brasília nunca será resolvida se não houver uma ação conjunta entre os governadores do Distrito Federal, de Goiás e de Minas Gerais para reduzir a desigualdade entre cidadãos que vivem tão perto.

Só para se ter uma ideia dos problemas que cercam Brasília, há mais de dois anos a Força Nacional de Segurança atua em cidades goianas a cerca de 40 quilômetros da capital, como Valparaíso, que tem cerca de 150 mil habitantes e é um dos municípios mais violentos do Brasil.

Habitação. O processo de acomodação populacional promovido pelo Poder Executivo nos últimos 25 anos - notadamente durante os governos de Joaquim Roriz - ajudou a aumentar a desigualdade, pois a ocupação rápida e desordenada não foi seguida de um processo de criação de empregos.

Roriz distribuiu 180 mil lotes, criando do nada as cidades-satélites de Samambaia, Santa Maria, Recanto das Emas, Riacho Fundo 1 e 2, Itapuã e Estrutural, além de inchar outras que já existiam, como Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho, Planaltina e Paranoá. Em menos de uma década, a capital recebeu 1 milhão de migrantes. Embora questionada pelo Ministério Público, a criação das novas cidades ou expansões foi aprovada pela Câmara Distrital, que sempre foi dominada politicamente por Roriz.

A princípio, a doação de terrenos ocorreu para remover pelo menos 60 favelas que ocupavam todos os cantos do Plano Piloto, das proximidades do Palácio do Planalto às margens de rodovias. Mas a distribuição de terrenos acabou por atrair outros migrantes, que começaram a formar novas favelas ou reocupar as antigas. Mais tarde, eles também receberam seus lotes.

Paralelamente, a falta de moradias para a classe média incentivava um processo de grilagem de terras públicas. Nada menos do que 387 condomínios irregulares foram registrados em Cartórios de Notas - e não nos de Imóveis.

Texto atualizado em 15.07

Depredação marcou protestos em Brasília

Andre Dusek/Estadão - 20.06.2013

Os protestos de junho do ano passado, em Brasília, tiveram início no dia 15 e coincidiram com o jogo entre Brasil e Japão, na abertura da Copa das Confederações.

Começaram numa concentração na rodoviária central de Brasília e tiveram o ápice um pouco antes do início do jogo, já nas proximidades do Estádio Mané Garrincha, que fica a dois quilômetros de distância.

Cerca de 20 pessoas foram presas nesse dia. Na cerimônia de abertura do evento esportivo, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, foram vaiados.

Na semana seguinte, outro protesto reuniu cerca de 35 mil pessoas, muitas delas mascaradas, no mesmo dia em que ocorreram manifestações em 388 cidades do País, 22 delas capitais.

O protesto teve como alvo instituições federais. Os manifestantes acabaram poupando o governo local.O início foi pacífico, mas no fim deixou um rastro de destruição na Esplanada dos Ministérios. A multidão tentou invadir o Palácio do Planalto e o Congresso.

Rechaçada, avançou sobre o Palácio do Itamaraty e o depredou.Os atos de vandalismo chegaram também à Catedral de Brasília e a prédios ministeriais.

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo