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Eleições 2014

Análise: Críticas aumentam, mas ninguém dispara uma ‘bala de prata’

Marcelo de Moraes - DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DO ‘ESTADO’

27 Agosto 2014 | 00h 59

O crescimento expressivo de Marina Silva (PSB) nas pesquisas de intenção de voto, confirmado pelo Ibope poucas horas antes da realização do debate desta terça-feira, 26, da Band, deflagrou a temporada de críticas mais diretas entre os principais candidatos à sucessão presidencial. Sem ofensas pessoais, os participantes miraram alvos previamente estudados, trocaram ataques, mas ninguém conseguiu encontrar alguma “bala de prata” capaz de produzir dano irreversível ao adversário.

Embalada pelo Ibope, Marina defendeu sua “nova política” e procurou carimbar Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) como representantes de um modelo superado. Também surpreendeu ao partir imediatamente para o ataque, criticando os pactos propostos pela presidente depois dos protestos de junho de 2013.

Com cautela, Dilma e Aécio tentaram transmitir a imagem de que Marina não teria experiência e conhecimento suficiente para ser a gestora que a Presidência da República necessita. Ambos pareceram mais à vontade nas críticas feitas entre si. Dilma procurou colar Aécio no governo Fernando Henrique Cardoso e acusou os tucanos de quebrarem o País. Já o senador disse que a presidente deveria pedir desculpas pelas irregularidades envolvendo a Petrobrás e fez coro com Marina ao ironizar o programa exibido por Dilma no horário eleitoral gratuito, dizendo que todo brasileiro gostaria de morar naquele País que era mostrado.

A maior surpresa do debate foi, sem dúvida, a disposição de Marina de aceitar o confronto crítico com seus principais oponentes em vez de se resguardar, aproveitando o bom momento apontado nas pesquisas.

Mas, como os adversários, também oscilou. A ex-ministra se enrolou ao falar da presença de empresários, como Neca Setúbal e Guilherme Leal, na sua campanha, juntando-os numa elite na qual incluiu até o ambientalista Chico Mendes. Ao mesmo tempo, teve habilidade para reconhecer publicamente as qualidades dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, inibindo os adversários. Apesar da combatividade do trio, nesse primeiro round o nocaute passou longe.

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