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Eleições 2014

Aliados pedem a Dilma mais presença na rua para barrar ascensão de Marina

O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2014 | 03h 00

Estratégia da campanha petista é colocada em xeque por aliados peemedebistas e por parte do próprio partido

Depois de a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo apontar a possibilidade de vitória da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, no 2.º turno contra a presidente Dilma Rousseff, o comitê pela reeleição passou a ser alvo de pressões por mudanças. Diante do crescimento da ex-ministra do Meio Ambiente, aliados da presidente e dirigentes do PT cobram uma campanha com mais viagens pelo País e atividades de rua, além de mudanças no conteúdo dos programas eleitorais na TV.

O conselho político da campanha, formado por partidos que apoiam a reeleição, se reuniu ontem com Dilma para avaliar as mudanças no quadro eleitoral. Os aliados chegaram ao Palácio da Alvorada dispostos a pressioná-la a abrir um confronto direto com Marina e a direcionar a campanha com mais propostas para o futuro, em vez do tom atual, focado mais na comparação da era petista com a era de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

De acordo com um peemedebista, o publicitário João Santana deveria aproveitar o "latifúndio de tempo na TV" e deixar parte do programa para apresentar propostas para o futuro e não apenas fazer a comparação com o governo tucano.

Aliados e petistas também defendem que Dilma parta para o ataque contra a campanha do PSB, explorando as suspeitas de irregularidades na compra do avião Cessna que caiu no dia 13, matando Eduardo Campos e seis integrantes de sua equipe.

Petistas chegaram a sugerir ontem, nas redes sociais, que o partido recorra à Justiça Eleitoral e peça punições pelo suposto uso irregular do avião. A possibilidade de embate direto com Marina, por enquanto, é descartada pela campanha e a ordem é terceirizar os ataques.

Para o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, Marina "bateu no teto" e Aécio acabará ajudando o PT ao mostrar as "contradições" da ex-ministra. "Aécio está na mesma situação que o Fernando Haddad em São Paulo, em 2012", lembrou Marinho, numa referência às dificuldades enfrentadas pelo então candidato do PT à Prefeitura de São Paulo para chegar ao 2.º turno. "Se o PSDB não desconstruir a Marina, vai ficar de fora."

Partidos aliados, entre eles o próprio PT, também querem que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajem mais aos Estados e se dediquem a atividades de rua. "O que falta é Dilma e Lula irem mais para a rua. Não é no gabinete que se ganha eleição", cobrou o deputado José Guimarães (PT-CE), vice-presidente nacional do PT.

Em reuniões com coordenadores da campanha, ontem, Lula confirmou viagens a Pernambuco e Bahia na próxima semana, enquanto Dilma prepara agendas em São Paulo.

Material. Cerca de 8 milhões de jornais com as "realizações" do governo Dilma, como Mais Médicos, Educação Infantil e Minha Casa Minha Vida, serão distribuídos pelos Correios, nos próximos dias, nas 76 cidades do Estado de São Paulo com mais de 70 mil eleitores, que representam 74% dos votantes.

Nas redes sociais, petistas promoverão uma "guerrilha virtual" para dizer que apoiadores de Marina defendem arrocho salarial quando falam em crescimento econômico e juros mais baixos.

O PT também lançará dúvidas sobre a capacidade gerencial de Marina. "Nós temos muito o que mostrar e nada a esconder", afirmou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. "Nossas propostas são as mais consistentes e viáveis para o País."

O programa eleitoral de Dilma na TV sofrerá ajustes e não mais focará na polarização com o candidato do PSDB, Aécio Neves, hoje inexistente. Além disso, aliados pediram maior presença de Lula nas viagens de campanha, de preferência acompanhando Dilma. A orientação também é para que internautas mostrem que Marina não só "não é o que as pessoas pensam" como defende "medidas amargas" para o Brasil na política macroeconômica, a exemplo de Aécio.

Em entrevista, no Palácio da Alvorada, a presidente disse ontem que a reunião seria “muito mais colaborativa do que de cobrança, uma reunião em que se constrói as estratégias, os caminhos”. Dilma não quis responder, no entanto, se e quando passará a atacar Marina. Anteontem, no debate, Dilma evitou ataques diretos à candidata do PSB. / RICARDO GALHARDO, VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO, RICARDO DELLA COLETTA E RAFAEL MORAES MOURA

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