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Aliado de Dilma faz coro por 'Volta, Lula'

João Domingos, Mauro Zanatta e Ricardo Della Coletta/Brasília - O Estado de S.Paulo

29 Abril 2014 | 02h 08

Deputados do PR, partido que controla o Ministério dos Transportes, defendem a substituição da candidata petista pelo ex-presidente

Com apoio alegado de 20 dos 32 deputados do PR, o líder do partido na Câmara, Bernardo Santana (MG), defendeu publicamente ontem que o PT lance como candidato ao Palácio do Planalto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não Dilma Rousseff. Embora descontente com a atual chefe do Executivo, a legenda não pretende deixar a pasta ocupada na Esplanada dos Ministérios.

O gesto do deputado também expôs a divisão vivida pelo PR desde a condenação e prisão do ex-deputado Valdemar Costa Neto, um dos sentenciados no julgamento do mensalão. Santana, que não divulgou os nomes dos apoiadores do "Volta, Lula" sob alegação de evitar represálias, é próximo do ex-secretário-geral do partido e filho de um político de Minas aliado do senador tucano Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

Santana leu uma carta do chamado Movimento União Brasil Capital & Trabalho, uma forma de "sensibilizar" Lula ao apelar pelo retorno de sua "força, experiência e brilho", segundo ele. O líder encenou um ato simbólico: sacou uma foto do ex-presidente com a faixa no peito e a pendurou na parede do gabinete.

"Só Lula tem condição de enfrentar qualquer crise. Nós temos problemas econômicos, problemas na energia elétrica, inflação, dificuldades competitivas e um estresse hídrico como não se via há 70 anos", disse Santana. Mas esquivou-se de responder se considerava Dilma, a quem classificou de "competente", capaz de resolver os problemas.

Nos bastidores, duas alas do PR travam uma intensa batalha. O presidente do partido, o senador e ex-ministro Alfredo Nascimento (AM), afastado do governo no início da "faxina ética" de Dilma, disputa influência e poder com o grupo aliado de Costa Neto. Fora isso, o senador evangélico Magno Malta (ES) se colocou como pré-candidato à Presidência, outra forma de mostrar descontentamento com o governo federal.

"Isso é um desrespeito à presidente Dilma, ao ministro (Cesar Borges) e a minha pessoa", disse Nascimento ao Estado. "Não vão passar por cima de mim." Borges preferiu não polemizar. "Vou trabalhar no sentido de ver o partido unido em torno da candidatura da presidenta Dilma."

Santana disse não ter conversado nem com Lula nem com outros partidos para lançar o manifesto. Afirmou ter "75% a 80%" dos votos na convenção nacional que decidirá os rumos do PR na eleição e espera que outras legendas aliadas engrossem o "Volta, Lula". Parte do PR leal ao governo, por sua vez, promete responder hoje ao gesto do deputado demonstrando apoio à presidente.

Emendas. No comando de um orçamento de R$ 26 bilhões nos Transportes para 2014, a bancada do PR reclama das dificuldades para liberar o dinheiro das emendas parlamentares, o que resulta em prestígio e votos nas bases eleitorais, e do tratamento do Palácio do Planalto.

Levantamento da Liderança do DEM no sistema federal de gastos (Siafi) a pedido do Estado mostra que o PR não teve nenhuma das 27 emendas parlamentares pagas ou empenhadas desde janeiro - inclusive a dotação autorizada de R$ 1,25 milhão a Bernardo Santana.

O PR incluiu R$ 67,3 milhões no orçamento deste ano, sem liberação dessa verba. Quatro outros partidos já tiveram emendas pagas, inclusive o oposicionista Solidariedade. Dos restos a pagar de 2013, o PR obteve 11% dos recursos prometidos. / COLABOROU ERICH DECAT

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