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Mensalao

Agora, mulher e sobrinho de Pizzolato devem ser investigados

O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2014 | 02h 03

PF instaurou inquérito para apurar se Pizzolato teve ajuda de parentes e de outras pessoas para falsificar documentos

BRASÍLIA - A Polícia Federal vai investigar a participação da mulher e de um sobrinho de Henrique Pizzolato na fuga do ex-diretor do Banco do Brasil para a cidade de Maranello, na Itália. Pizzolato também irá responder no Brasil pelo crime de falsificação de documentos, utilizados na sua saída do Brasil.

Ele fugiu do País em setembro do ano passado usando a identidade de um irmão que morreu há 36 anos. Além do passaporte, Pizzolato tirou carteira de identidade e título de eleitor em nome do irmão.

"Instauramos inquérito policial para apurar falsidade do passaporte brasileiro e a possível falsidade da apresentação desse documento na nossa imigração. A partir daí poderemos concluir como foi feita essa falsificação, quem participou dela", afirmou o diretor executivo da PF, Rogério Galloro.

Perguntado especificamente sobre a mulher e o sobrinho de Pizzolato, Galloro afirmou: "Nós estamos investigando se a participação de terceiros foi ou não criminosa. Mas nem ela nem o sobrinho foram presos".

Conforme os investigadores, isso ocorreu porque Pizzolato não foi preso pela polícia italiana pelo uso de documentos falsos. "Ele foi preso porque havia um pedido para a extradição. Cada ação foi compartilhada entre as polícias. A partir de agora o caso é uma questão do judiciário italiano que vai decidir futuramente sobre entregá-lo ou não ao governo brasileiro. Não tenho como dizer se ele vai ficar preso", disse Roberto Donati, oficial de ligação da polícia italiana no Brasil.

Os investigadores brasileiros também afirmaram que não há como garantir que Pizzolato ficará preso. "Uma coisa é o uso de documento falso, um crime para o Brasil. Mas ele não foi preso por isso. Ele foi preso por um mandado de prisão do Brasil na Interpol", observou Galloro.

Segundo Donati, para facilitar o processo de extradição a polícia italiana pode até mesmo "deixar de lado" a punição para crime de falsificação de documento devido à pena pequena. No Brasil, contudo, o crime será investigado.

Mulher. Andrea Haas, mulher de Pizzolato, o acompanhou em toda a fuga. Conforme a PF, foi ela quem comprou a passagem de avião que levou Pizzolato da Argentina para Barcelona, na Espanha. Andrea também esteve no país antes da fuga. Ela estava com o marido ontem quando ele foi capturado pela polícia italiana na casa do sobrinho. Fernando Grando, que é engenheiro da Ferrari.

Uma reportagem do Guia do Estudante, de 2012, informa que ele trabalha na empresa há nove anos diretamente com Fórmula 1, com foco no desenvolvimento de motores. A revista afirma que Grando é responsável por analisar projetos e já participou de trabalhos nas pistas durante as corridas.

A PF usou o Facebook para identificar Grando. Na conta dele na internet há várias fotos sua do local onde mora. Segundo a investigação, Grando manteve contato com a família Pizzolato no Brasil, conforme mostram mensagens na rede social.

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