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Agentes da Abin dizem que superior adota prática da ditadura

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2012 | 02h 06

Em clara demonstração de que um clima de tensão permeia o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e os funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Associação Nacional dos Oficiais de Inteligência (Aofi) publicou em seu site nota na qual critica o foco definido pelo seu chefe, o ministro e general José Elito Siqueira, de o órgão acompanhar prioritariamente trabalhos dos movimentos sociais.

Agentes consultados pelo Estado classificaram a prática como "atrasada", lembrando do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), que funcionou durante a ditadura. Na nota, a associação defende ainda a "necessidade de reestruturação do órgão" e pede amplo debate sobre "o papel da inteligência de Estado e como deve ser estruturada para melhor servir à instância máxima da decisão".

É o segundo confronto entre a "comunidade de inteligência" e o general. Em fevereiro de 2011, início do novo governo de Dilma Rousseff, os servidores da Abin redigiram documento e conseguiram audiência com um assessor presidencial para entregar uma carta com críticas. Nela, pediam que a Abin não tenha nem subordinação militar, nem policial, e chegavam a fazer um trocadilho, com o filme Tropa de Elite, dizendo que não queriam ser da "Tropa de Elito".

As tensões se acirraram entre GSI e Abin, a ponto de o general Elito nem ter comparecido às comemorações do dia do profissional de inteligência, em 6 de setembro e, na avaliação de diversos segmentos do setor, "ignorar" o que se passa na agência. Na nota publicada no site, ao criticar o foco da agência para analisar movimentos sociais, a Aofi classifica a decisão como "nefasta": "É nefasto aceitar que seja correto o acompanhamento pela inteligência de Estado desses movimentos".

A afirmação veio em reposta à revista IstoÉ, que sugeria que representantes da associação aproveitavam da posição para participar de reuniões do comando grevista de servidores públicos e manter o órgão informado sobre a categoria. O acompanhamento dos movimentos sociais é criticado pelos servidores de vários segmentos do órgão. Esta prática foi reintroduzida pelo general Elito, que ao chegar ao GSI, definiu um "mosaico" de temas que devem ser acompanhados pela Abin. Além de movimentos grevistas, em particular a greve do serviço público, a situação de garimpeiros e índios, e as enchentes no País, atenção especial é dada à dengue.

"Embora seja um problema de saúde pública, no que pode ameaçar a segurança nacional um surto de dengue?", disse um servidor ao Estado. Para outros agentes, o general "filtra" dados que só chegam ao conhecimento de Dilma com atraso de "dois ou três dias, e de forma superficial". O GSI não quis se pronunciar sobre as queixas da associação. E a Abin informou que quem trata de assuntos da Agência é o GSI.

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