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ENTREVISTA:

ENTREVISTAPimenta da Veiga, ex-presidente nacional do PSDB

'Aécio pode sair de Minas com 4 milhões de votos'

Pimenta da Veiga diz que pretende criar no Estado movimento semelhante ao que levou Juscelino Kubitschek ao poder

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE

13 Outubro 2013 | 02h01

De volta à política após quase 15 anos afastado, o ex-ministro, ex-deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga (PSDB) assumiu a presidência do Instituto Teotônio Vilela em Minas com a missão de coordenar no Estado a campanha do presidenciável tucano Aécio Neves (MG) à Presidência.

O senhor já se inteirou das questões políticas de Minas?

Nunca me distanciei das questões mineiras. Mesmo não atuando diretamente, tinha um grande volume de informações. Me dá muita alegria quando ando pela rua, agora que meu nome voltou à tona.

O nome do senhor voltou à tona inclusive para disputar o governo. Tem essa disposição?

Minha tarefa fundamental é ajudar a organizar o Estado para um grande movimento político que está se iniciando e que, espero, tenha caráter nacional. É importante que comece em Minas, porque muitos dos principais movimentos políticos da história nacional começaram aqui. Estamos marcando reuniões regionais para politizar a vida do Estado de maneira que os mineiros compreendam as oportunidades que se abrem agora.

O senhor se refere à provável candidatura do senador Aécio Neves à Presidência?

Sim. Porque há 60 anos houve um movimento igual em torno do Juscelino Kubitschek e foi fundamental para a eleição dele. Ele se elegeu por causa de Minas. Precisamos repetir isso em torno de Aécio. Se conseguirmos o que prego, podemos sair daqui com 4 milhões de votos. Isso fará a diferença.

O senhor fala isso já dando como certa a candidatura de Aécio. E o ex-governador José Serra?

A data símbolo de 5 de outubro foi muito boa para nós por várias razões. Mas, sobretudo, porque pregavam que o PSDB perderia pedaços e que o ex-governador Serra deixaria o partido. Nada disso ocorreu. Estou certo de que Serra, que é uma das melhores figuras do partido, estará inteiramente integrado nesse esforço que estamos começando em Minas.

Como avalia a aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos? Alguns analistas acreditam que o maior prejudicado foi Aécio.

Talvez analistas tendenciosos. Quem ganhou foi a oposição. Como estou certo de que nos encontraremos no segundo turno, porque Aécio estará no segundo turno, tenho que festejar este fato. As oposições se fortaleceram. A grande vítima foi a Dilma, que perdeu apoios de dois ex-ministros. Não por acaso o ex-presidente Lula não disse nada. Ele ficou perplexo. Não conseguiu digerir.

Essa terceira via não indica a dificuldade de o PSDB se apresentar como alternativa?

Em todo lugar a eleição se dá entre situação e oposição. Quem não está nesses dois polos sugere a terceira via. Mas, por várias razões, mais uma vez essa eleição será entre o PT, que considero decadente, e o PSDB, que tem todas as condições de voltar à Presidência.

As pesquisas mais recentes mostraram a Marina à frente de Aécio. É um problema?

A Marina não é candidata. E não é uma contagem aritmética. A tem tantos pontos, B tem tantos pontos, se unem e dará tantos pontos. Haverá certamente um movimento nas pesquisas em prejuízo da Dilma. Mas espero que (Marina e Campos) consigam reunir forças.

E em relação à eleição em Minas? Porque o PSB já fala em candidatura própria.

O PSB tem todo direito de lançar candidatura e será respeitada por nós. Mas é preciso aguardar a evolução dos fatos.

A presidente tem feito várias visitas a Minas. É uma resposta a esse movimento?

É uma tentativa de resposta. Só que ela perdeu três anos. Não vai recuperar em poucos meses tudo que deixou de fazer. O Planalto virou as costas para Minas. Não adianta agora vir com promessas mirabolantes. Não é a caneta do governo federal, que ficou sem tinta por tantos anos e agora vem generosa, que vai mudar. A Dilma está se debatendo para corrigir os erros que cometeu, mas não há mais tempo.

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