1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Aécio lança tucano em Minas e evita falar de Azeredo

Marcelo Portela / BELO HORIZONTE - O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2014 | 03h 19

Em evento da pré-candidatura de Pimenta da Veiga, presidenciável dá rápida resposta e encerra entrevista após ser questionado sobre o réu

O ex-ministro Pimenta da Veiga foi oficializado pré-candidato ao governo de Minas ontem em evento marcado pelo constrangimento de lideranças tucanas com a renúncia, na véspera, de Eduardo Azeredo ao mandato de deputado federal.

Azeredo, que não participou do ato em Belo Horizonte, renunciou ao cargo anteontem após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir ao Supremo Tribunal Federal que ele seja condenado a 22 anos de prisão no processo do mensalão mineiro.

O presidente nacional do PSDB e pré-candidato tucano à Presidência, senador Aécio Neves (MG), negou que a situação do correligionário seja um problema para o partido, mas se mostrou incomodado ao ser questionado sobre o assunto.

"Disse ontem (anteontem) em Brasília e repito. É uma decisão de foro íntimo, precisa ser respeitada", afirmou. "Ele terá oportunidade de apresentar sua defesa e esperamos, todos nós, que ele possa ser absolvido."

Aécio, acompanhado de Pimenta da Veiga, do governador Antonio Anastasia e do deputado Duarte Nogueira (SP), fez uma visita ao ex-deputado antes do ato na capital mineira.

Perguntado sobre a possibilidade de o PT usar o tema na campanha eleitoral contra o PSDB, o senador foi direto: "Não temos (o PSDB) que rebater nada. Nossa história fala por nós". "Sobre esse assunto eu já falei o que eu tinha a dizer", declarou o tucano, encerrando a breve entrevista que concedeu após o evento oficial.

Aécio, porém, precisou voltar ao assunto mais tarde, durante visita a Santos. Na cidade paulista, pediu que "respeitem o drama" de Azeredo. Questionado sobre a possibilidade de o ex-deputado subir em seu palanque na campanha presidencial, respondeu irritado: "Isso não é uma pergunta cabível. Não tenho o menor constrangimento em dizer que ele é um homem de bem".

Em Belo Horizonte, após ter a pré-candidatura ao governo de Minas oficializada, Pimenta da Veiga também procurou minimizar o reflexo do caso na campanha estadual. O ex-ministro, contudo, admitiu que uma eventual participação de Azeredo na sua campanha precisa ser "examinada". "Se ele requisitar alguma coisa, vamos examinar. Mas (ele) quer dedicar seu tempo a provar sua inocência, o que é extremamente justo."

'Decisão pessoal'. No evento realizado em um clube da capital mineira, Azeredo não foi citado em nenhum momento nos discursos e saudações. Segundo Pimenta da Veiga, o ex-deputado não compareceu "porque renunciou e está afastado da vida pública". "Ele é permanentemente convidado. Mas foi uma decisão pessoal."

Azeredo foi eleito vice-prefeito de Belo Horizonte em chapa encabeçada por Pimenta da Veiga em 1988 e assumiu a prefeitura quando o correligionário deixou o cargo para disputar o governo de Minas em 1990. O ex-deputado é acusado de peculato e lavagem de dinheiro pelo Ministério Público Federal.

PSB. Pimenta da Veiga será o candidato em uma aliança que deve reunir o PSDB e diversos outros partidos aliados no Estado. O presidente do PSB mineiro, deputado Júlio Delgado, participou do evento, que reuniu também representantes de outras 19 legendas - PP, DEM, Solidariedade, PPS, PDT, PTB, PSD, PR, PV, PT do B, PHS, PRP, PSC, PSDC, PEN, PMN, PSL, PTC e PTN.

O tucano deverá polarizar a disputa estadual com o ex-ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel (PT), cuja pré-candidatura foi lançada na semana passada em ato que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. / COLABOROU PEDRO VENCESLAU

  • Tags: