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Aécio exalta união do PSDB e diz que ‘tsunami vai varrer’ os que não são dignos

Pedro Venceslau, Débora Bergamasco de O Estado de S. Paulo - Atualizado às 20h30

14 Junho 2014 | 12h 39

Em convenção realizada para confirmar seu nome à Presidência da República, senador mineiro destaca ação social dos tucanos em estratégia para contrapor o discurso dos adversários petistas e critica área econômica do governo Dilma

O senador Aécio Neves, de 54 anos, foi oficializado neste sábado, 14, como o candidato do PSDB à Presidência da República em convenção formatada para exaltar o que considera as suas duas maiores vitórias da pré-campanha: a unidade do partido e o apoio de correligionários em São Paulo, maior colégio eleitoral do País.

No discurso que fechou o encontro realizado em um centro de exposições da zona norte da capital paulista, o mineiro defendeu enfaticamente a passagem de Fernando Henrique Cardoso pela Presidência (1995-2002), algo que os candidatos do partido não fizeram nas três últimas disputas. Também destacou que um “tsunami” vai varrer do Planalto aqueles que “não são dignos”.

“A cada dia que passa, por cada Estado e região pelos quais ando, eu percebo que não há apenas uma brisa, mas uma ventania por mudança, um tsunami que vai varrer do governo federal aqueles que lá não têm se mostrado dignos e capazes de atender às demandas da população brasileira”, disse.

Aécio tentou mostrar que o PSDB tem compromisso com a área social. Trata-se de uma das preocupações da campanha, já que a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, têm como principal bandeira o Bolsa Família e a ascensão social dos mais pobres.

 

O candidato do PSDB à Presidência
Werther Santana/Estadão

O PSDB nacional aprovou neste sábado, 14, a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República, em evento realizado em São Paulo que contou com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-governador paulista José Serra e do atual titular do Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin.

O candidato ressaltou que o programa de transferência de renda, “que culminou no Bolsa Família”, foi criado no governo nacional do PSDB – trata-se do Bolsa Escola. “Fomos nós que criamos os primeiros programas de transferência de renda. Não adianta os adversários dizerem o contrário”, afirmou.

A convenção registrou um público de aproximadamente 5 mil pessoas. Entre elas, 451 delegados votaram em cédulas de papel. O placar final foi este: 447 disseram sim pela candidatura de Aécio, 3 votaram em branco e um votou nulo. A convenção decidiu também deixar a escolha do vice de Aécio para depois. O tucano ainda conta com uma dissidência no campo governista para completar sua chapa.

Desafetos. Apontados pelos próprios tucanos como adversários internos de Aécio, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-governador José Serra fizeram longos discursos de apoio ao correligionário.

“Quero saudar o presidente nacional do PSDB e o futuro presidente do Brasil, Aécio Neves”, afirmou Serra. “O PSDB e seus aliados chegaram unidos até aqui”, disse. Já Alckmin afirmou que Aécio “é o nome do trabalho e da inovação” e será “o mais mineiro de todos os paulistas”.

As rusgas entre Aécio e os dois paulistas ficaram evidentes nas eleições presidenciais de 2006, com Alckmin candidato, e 2010, quando Serra disputou. Ambos consideram que Aécio não se empenhou o suficiente em Minas. Essa é a primeira eleição do PSDB, fundado em 1988, sem um candidato de São Paulo.

Aécio se emocionou ao anunciar a presença da mãe, Inês Maria, e da filha mais velha, Gabriela, e ao relembrar o pai, Aécio Cunha, que já morreu. E chorou ao agradecer, “mesmo que à distância”, o carinho dos dois filhos recém-nascidos e da mulher, que ficaram no hospital, no Rio. / COLABORARAM ELIZABETH LOPES e ERICH DECAT