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Entrevista.

Para Amaral, Campos deve mostrar a eleitorado tucano que é opção mais viável para enfrentar Dilma na votação final

Aécio é o adversário de Campos no 1º turno, diz vice-presidente do PSB

João Domingos

06 Março 2014 | 02h 07

BRASÍLIA - O adversário natural do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na eleição de 5 de outubro é o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato tucano ao Planalto. A avaliação é do ex-ministro Roberto Amaral, vice-presidente do PSB e um dos principais teóricos do partido. "Temos uma aliança política com o Aécio, mas ele é o nosso adversário natural, direto", afirma, referindo-se a uma das duas vagas em disputa para o segundo turno, dado o atual favoritismo da presidente Dilma Rousseff.

Para Amaral, o PSB deve conquistar eleitores tucanos desde o primeiro turno, mostrando-se como opção melhor que Aécio para enfrentar a petista no segundo. Tanto que o ex-ministro defende que o lançamento da chapa de Campos com Marina Silva na vice seja feito em São Paulo ou Minas, os dois maiores colégios eleitorais do País e redutos do PSDB.

Como será a chapa da aliança PSB/Rede na eleição?

Eduardo Campos e Marina Silva para vice.

Quando será lançada?

A previsão é março. No dia 15, vai haver a reunião no Rio que tratará das diretrizes do programa. Não está fixado para esse dia (o anúncio da chapa) porque há coisas a serem feitas. É um fato tão importante que vai virar uma grande notícia. E essa notícia vai anular nosso seminário. Eu faria separado. Não faria no Nordeste, porque estamos bem lá. Faria em Minas, São Paulo ou Rio. Esse Triângulo das Bermudas brasileiro vai decidir a eleição. Há companheiros que defendem o Rio, pela repercussão. Mas São Paulo tem o maior eleitorado do País e Minas, o segundo. Precisamos enfrentar o Aécio Neves em São Paulo e Minas. Por isso, defendo São Paulo ou Minas.

Aécio Neves é o adversário a ser enfrentado? Ou o alvo de PSB e PSDB é Dilma Rousseff?

Eu lhe peço que use palavra por palavra porque é uma questão delicada. Se eu não explicar bem, cria problema. A eleição é em dois turnos. E há uma questão acaciana. No segundo turno, só estarão dois candidatos. Quando fazemos a aliança política com o Aécio, estamos pensando no segundo turno, porque temos a certeza de que vamos para o segundo turno e precisamos atrair o eleitorado do Aécio. Mas, para eu ir para o segundo turno - volta de novo o conselheiro Acácio -, haverá antes o primeiro turno. Pelo quadro de hoje, existem três candidatos, e a Dilma está no segundo turno. Assim, sobram dois candidatos para uma vaga: Aécio e Eduardo Campos. Ou seja, temos uma aliança política com o Aécio, mas ele é nosso adversário natural, direto. Parto do pressuposto de que não vamos os dois para o segundo turno. Então, vamos disputar entre nós quem é que vai. Temos que fazer uma aliança política que não nos afaste do eleitorado dele e torne mais fácil trazer parte do eleitorado dele para nós, já no primeiro turno, convencendo esse eleitorado da maior viabilidade do Eduardo Campos para disputar o segundo turno. É mais fácil o eleitorado dele votar em nós do que na Dilma.

E se ocorrer o contrário? O PSB apoiaria Aécio ou Dilma?

Não discuto isso porque parto do pressuposto de que estamos no segundo turno.

O PSB participou do governo Lula e de parte da gestão Dilma. Não é mais fácil se alinhar com Dilma do que com Aécio?

Ao contrário. Por termos participado dos governos de Lula e Dilma, temos autoridade para a escolha. Somos copartícipes do sucesso do governo Lula.

Como o sr. vê Dilma e o PT chamando o PSB de ingrato, mal agradecido, oportunista...

Tolice astronômica, abissal. Ingratos são eles. Apoiávamos o Lula em 1989 quando ele tinha 2%. Fizemos oposição ao Collor, ao Fernando Henrique Cardoso, apoiamos o Lula em 1994 e em 1998, quando sabíamos que a eleição era perdida. Apoiamos no segundo turno de 2002, em 2006, a Dilma em 2010. E quando foi que nos apoiaram? Quem é o ingrato? Quem é que tem crédito e débito? No governo Lula ocupamos o Ministério da Ciência e Tecnologia com a maior lealdade. Na crise (do mensalão), quando muitos petistas se encolheram e outros aliados fizeram chantagem, ficamos firmes na defesa do governo.

Para o PSB, a aliança com a Rede foi proveitosa?

Muito. Proveitosa para a campanha, obviamente. E foi - essa é minha surpresa - muito proveitosa para o PSB. Ela trouxe para o PSB a preocupação com a sustentabilidade. Embora estivesse em todos os nossos programas, não foi incorporado à nossa atividade. E nós conseguimos levar a Rede a ter uma discussão teórica sobre o social. Passamos a compreender a importância da sustentabilidade, e a Rede a compreender a importância do desenvolvimento econômico como instrumento do desenvolvimento social.

O socialismo surgiu no século 19 e a defesa do meio ambiente, no século 20. Essa junção traz um novo pensamento para a política no século 21?

Se os dirigentes da Rede e do PSB tiverem juízo, vão perseguir isso. Minha divergência anterior era porque o inimigo da sustentabilidade é o capitalismo. Não compreendo nenhuma defesa do meio ambiente sem uma crítica profunda ao capitalismo, porque sua forma de exploração, sua essência, é predatória. E se isso não for contido, o planeta explode.

A união PSB/Rede cria uma ideologia, o sustentabilismo?

Isso precisa ser a novidade. Mas precisa de formulação teórica. Essa doutrina está por ser construída. Esse encontro (entre socialismo e sustentabilidade) é fundamental, e pode ser a novidade no Brasil e no mundo.

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