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A depender das ruas, papel de ex-presidente pode ficar em xeque

ANÁLISE: Claudio Luis de Camargo Penteado, cientista político - O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2014 | 02h 00

A eleição presidencial de 2014 tem atualmente a presidente Dilma Rousseff, candidata a reeleição, como favorita, conforme relatam as pesquisas de intenção de voto. Diferentemente da eleição anterior, de 2010, quando a então ex-chefe da Casa Civil era uma desconhecida e contou com o apoio, a popularidade e a boa avaliação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sucessão ela tem seu mandato, com seus erros e acertos, como principal bandeira política. Nesta eleição Dilma terá de assumir obrigatoriamente o protagonismo na condução de sua campanha.

Isso não quer dizer que o apoio direto de Lula, seu antecessor e padrinho político, não tenha valor estratégico do ponto de vista do marketing eleitoral, das alianças políticas e da capacidade de mobilização de petistas.

Caberá à presidente, porém, a responsabilidade de assumir a frente da sua campanha, construindo um discurso de "continuidade", principalmente nas áreas sociais, e ao mesmo tempo apresentar uma proposta de crescimento econômico, controle da inflação e melhoria de serviços públicos que possa dar conta da demanda de "mudança" já detectada pelos principais institutos de pesquisa do País.

Existe no núcleo da pré-campanha de Dilma a preocupação envolvendo os efeitos e impactos das manifestações que começaram em junho do ano passado, principalmente com os protestos previstos contra a Copa do Mundo (#nãovaitercopa) neste ano.

O caráter difuso dos acontecimentos do ano passado agrupou pessoas de diferentes grupos políticos, sendo seus efeitos eleitorais imprevisíveis.

Uma leitura inicial indica que os protestos não atingem diretamente o eleitorado que costuma votar no PT. Entretanto, Dilma precisa mais do que os eleitores fiéis do partido para vencer e a reverberação das manifestações pode causar a formação de uma opinião pública contrária ao governo federal. Esse movimento seria aproveitado pelos candidatos de oposição, o que poderia arrefecer o favoritismo da atual mandatária e criar um clima de incerteza na disputa eleitoral. Nesse contexto, a popularidade de Lula pode perder a relevância.

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