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A convocação de Ciro para minar Campos

Eduardo Bresciani e Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

23 Março 2014 | 02h 11

Campanha de Dilma vê ex-ministro que ficou 10 anos no PSB como arma contra governador

BRASÍLIA - O convite feito na semana passada pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para que o ex-ministro Ciro Gomes (PROS) integre o grupo que coordenará a campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff tem como principal objetivo servir de contraponto ao governador de Pernambuco e pré-candidato ao Planalto, Eduardo Campos (PSB).

A ideia é que essa função seja desempenhada de duas maneiras. Internamente, Ciro terá o papel de ajudar a apontar os pontos fracos do candidato, levantados a partir dos dez anos de relação partidária mantida entre 2003 e 2013 n o PSB. Fora do comitê, o ex-ministro será responsável pelas respostas mais fortes contra Campos. Usará, assim, seu conhecido estilo agressivo para defender Dilma. A orientação é que os ataques sejam feitos também à ex-ministra Marina Silva, que deve ser a vice na chapa do PSB.

Interlocutores de Ciro afirmam que neste ano será possível ele finalmente dar o troco em Campos que, a pedido do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, articulou o partido a se posicionar contrário ao seu interesse em se candidatar a presidente da República em 2010.

Desde então, ao longo do governo Dilma, Ciro e seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), passaram a ser as vozes dissonantes dentro do PSB contrários à candidatura Campos em 2014.

Tanto que a situação ficou insustentável. Em setembro de 2013, o PSB deixou o governo, os irmãos Gomes saíram do partido presidido pelo pernambucano e migraram para o recém-criado PROS - sexta legenda de Ciro na vida pública.

Memória. O ex-ministro já deve participar da próxima reunião da coordenação da campanha de Dilma. Terá de esquecer comentários feitos por ele em 23 de julho passado, em entrevista à Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, quando criticou Dilma e usou palavras de baixo calão para se referir à aliança do governo.

"A Dilma não é má pessoa. É uma pessoa decente, uma pessoa trabalhadora. É meio arrogante, muito inexperiente, muito muito muito inexperiente, isso já estava dito lá atrás, eu cansei de falar muitas vezes e cercada de gente de quinta categoria, esse é o grande problema, pilotando uma aliança que é assentada na p..., com licença aqui da má expressão, na fisiologia, na roubalheira, no clientelismo. É isso aí", disse Ciro, na entrevista à rádio cearense.

A assessoria do ex-ministro não confirma a existência do convite para a coordenação, que teria sido feito na quarta-feira por Mercadante, durante almoço com a direção do PROS no Palácio do Planalto. A assessoria de Ciro não fez comentários sobre a entrevista, esclarecendo apenas que "a candidatura da presidente Dilma é a melhor para o Brasil entre as que estão colocadas".

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