As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Temer, PSDB e o anti-Lula

Jose Roberto de Toledo

16 Fevereiro 2017 | 06h12

Uma pesquisa sozinha não conta toda a história. Nas vésperas da divulgação do levantamento CNT/MDA, o Planalto vazou pesquisa interna com melhora marginal da avaliação do governo Temer. Nesta quarta-feira, a notícia é o contrário: crescimento da desaprovação e do ruim/péssimo. Qual pesquisa está certa? Eventualmente ambas. Como? Depende de como se faz a comparação.

A do Ibope comparava a avaliação do governo em fevereiro com dezembro. A da MDA, fevereiro com outubro. Não é só isso. Pequenas oscilações de um mês para outro não revelam tendências. Podem ser variações estatísticas ou respostas passageiras da opinião pública a um fato específico, como a liberação do dinheiro das contas inativas do FGTS, por exemplo.

Na pesquisa Ibope para o Planalto, a aprovação e Temer foi de 24% em dezembro para 28% em fevereiro. Na MDA, caiu de 32% em outubro para 24% agora. A diferença em fevereiro está dentro da margem de erro se somarmos dois pontos em uma pesquisa (limite da margem) e subtrairmos dois pontos na outra (idem).

Mais importante é verificar se há movimento consistente ao longo do tempo que indique a tendência da opinião pública. Quando comparamos as três últimas pesquisas MDA, percebe-se uma curva ascendente da desaprovação: 40% em junho, 51% em outubro e 62% em fevereiro. O mesmo ocorre com os que acham o governo ruim ou péssimo: 28%, 37% e 44%. Ao mesmo tempo, caiu o “não sei”. À medida que conhece o governo, mais gente o avalia mal.


Essa tendência é consistente com o Datafolha, que verificou um aumento de 20 pontos do ruim/péssimo do governo Temer em dezembro, na comparação com julho. Como o MDA agora, o Datafolha encontrou apenas 10% de ótimo/bom para o governo dois meses atrás. Mas o ruim/péssimo era 51%, enquanto MDA e Ibope encontraram taxas mais baixas em fevereiro: 44% e 45%.

Levando-se em conta todas as pesquisas dos três institutos, é possível afirmar que: 1) a tendência mais consistente ao longo do tempo tem sido a de piora da avaliação do governo Temer à medida que mais pessoas se familiarizam com ele; 2) na margem, ou seja, nos últimos dois meses, pode ser que essa tendência tenha sido interrompida, mas só novas pesquisas nos próximos meses serão capazes de confirmar a eventual reversão.

Seja como for, a notícia prevalente sobre a pesquisa CNT/MDA foi que a popularidade presidencial está em queda. Se a repercussão do fato é negativa, ele se torna negativo também.

A pesquisa foi uma má notícia para Temer e ainda pior para o PSDB. Tucano mais bem colocado nas intenções de voto para presidente, Aécio Neves foi ultrapassado por Jair Bolsonaro na pesquisa espontânea (7% a 2%) e está tecnicamente empatado com o militar aposentado e deputado nos cenários estimulados.

Se fosse só nessa pesquisa o problema do PSDB não seria tão grave. Mas a MDA confirma a perda continuada de capital eleitoral dos presidenciáveis tucanos em todos os institutos desde que o partido aderiu ao governo federal. Não se trata só de desgaste pela associação com Temer e a Turma do Pudim.

O problema do PSDB é que uma parte importante do eleitorado que votou nos candidatos do partido a presidente nas últimas eleições encontrou um nome que julga representá-la melhor: Bolsonaro. Sem o voto desse segmento engajado, os tucanos perdem a primazia como anti-Lula. O líder petista recuperou ainda mais intenção de voto, mas segue sob risco de virar réu inelegível.

A pesquisa MDA reforça a ideia de que a melhora da avaliação do governo Temer é condição necessária para o PSDB ter chance em 2018, mas não é suficiente. O campo está aberto para surpresas de ambos os lados do espectro político.