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PT ajuda Donadon e atrapalha recuperação de Dilma

Jose Roberto de Toledo

quinta-feira 29/08/13

As coisas estavam melhorando para Dilma Rousseff. A inflação e o desemprego caindo, sua popularidade se recuperando. Daí o PT falta mais do que qualquer outro partido à votação secreta que deveria cassar, mas não cassou, o mandato do deputado-presidiário Natan Donadon. É o que faltava para o Sete de Setembro ressuscitar as manifestações em […]

As coisas estavam melhorando para Dilma Rousseff. A inflação e o desemprego caindo, sua popularidade se recuperando. Daí o PT falta mais do que qualquer outro partido à votação secreta que deveria cassar, mas não cassou, o mandato do deputado-presidiário Natan Donadon. É o que faltava para o Sete de Setembro ressuscitar as manifestações em massa de junho.

Confiantes de que a queda recorde de popularidade da presidente foi um tropeço e não uma avalanche, os petistas não se preocuparam nem sequer em ocultar suas pegadas na votação secreta de quarta-feira. O partido teve o maior número absoluto de ausentes, 21, segundo contabilidade do jornalista Fernando Rodrigues. Faltaram 41 votos para cassar Donadon.

Outros partidos contribuíram para o deputado preso na Papuda manter seu mandato. O PMDB, ex-partido de Donadon, ajudou com 15 ausências; o PP, com 14; o PSD, com 12; o PR, com 8; e até o PSDB, com 6. Não se sabe quais deputados de quais partidos votaram contra a cassação (131) ou se abstiveram de votar (41). Só se sabe quem esteve ou não presente à sessão de cassação.

Logo, pelo que se sabe, a bancada do PT foi a que mais ajudou o deputado condenado pelo STF a manter o seu mandato. Talvez porque espere reciprocidade quando a cassação dos mandatos de deputados petistas condenados pelo mensalão for a voto no plenário. Difícil saber se haverá honra entre ausentes.

De certo, sabe-se que o PT deu munição para a oposição retomar o discurso da moralidade, para os indignados se indignarem e provou que, como no caso dos médicos, poucas relações são mais fortes do que o espírito de corpo. E o Congresso demonstrou que a lei que está acima de todas não é a Constituição, mas o toma-lá-dá-cá.

Por essas e outras, a popularidade petista continua em baixa. Embora Dilma tenha recuperado um terço da aprovação perdida, o PT continua com os mesmos 21% de simpatizantes a que foi reduzido após os protestos de junho, o menor patamar desde o mensalão – como demonstram Ibope e Datafolha.

Cabe a pergunta: o que ocorrerá com a imagem do partido se a não-cassação de Donadon provocar uma nova onda de manifestações?