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Popularidade de Dilma bate no fundo, quica no papa e sobe

sábado 10/08/13

A recuperação parcial da popularidade do governo de Dilma Rousseff indicada pelo Datafolha se explica por dois motivos principais: melhoria das expectativas econômicas da população, e diminuição do noticiário negativo provocado pelos protestos. O saldo de avaliação (ótimo+bom menos ruim+péssimo) da presidente subiu de 5 para 14 pontos entre 28 de junho e 9 de […]

A recuperação parcial da popularidade do governo de Dilma Rousseff indicada pelo Datafolha se explica por dois motivos principais: melhoria das expectativas econômicas da população, e diminuição do noticiário negativo provocado pelos protestos. O saldo de avaliação (ótimo+bom menos ruim+péssimo) da presidente subiu de 5 para 14 pontos entre 28 de junho e 9 de agosto.

O clima geral da opinião pública melhorou e ajudou Dilma a recuperar uma pequena parte da popularidade perdida. Em 7 de junho, antes de as manifestações de rua ganharem corpo, o saldo da avaliação presidencial era de 48 pontos. Logo, os 9 pontos recuperados são apenas um quinto do que ela havia perdido. De qualquer modo, são importantes porque revertem uma tendência.

O índice que mais se correlaciona com a popularidade do presidente, a confiança do consumidor medida pelo INEC da CNI/Ibope, já havia estabilizado em julho, após uma sequência de quedas. Desde então, outros indicadores econômicos melhoraram, principalmente a inflação, ajudando o governo a recuperar terreno na guerra das expectativas.

Além disso, a virada no noticiário ajudou Dilma. A visita do papa Francisco, a exemplo do que ocorrera com a passagem de Barack Obama pelo Brasil em 2011, inundou os meios de comunicação com notícias positivas e semeou esperança. Pintou um quadro muito diferente daquele mês de noticiário apocalíptico produzido pelas manifestações de massa ao longo de junho.

Como ocorreu com a visita de Obama, porém, os ganhos de popularidade por causa do noticiário ocasional tendem a ser fugazes se o governo não sustentar uma percepção positiva na economia. Por isso, as notícias de safra recorde e redução do preço da cesta básica na maioria das capitais são, no longo prazo, mais estratégicas para Dilma do que a bênção do papa.

Dilma encontrou o fundo do poço e começou a galgá-lo. Mas o trajeto de volta até a borda é longo, íngreme e escorregadio. Por ora, tudo o que a presidente conseguiu foi evitar um caminho sem volta rumo à impopularidade como parece ser o caso do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

Dilma mostrou resistência e um pouco de resiliência. Mas seus problemas fundamentais permanecem: crescimento medíocre da produção, falta de competitividade da indústria nacional, câmbio desvalorizado pressionando a inflação e a falta de uma marca que faça o eleitor distinguir seu governo e querer sua permanência.

A presidente segue na partida da sucessão. Suas cartas já foram melhores, mas ela ainda tem um cacife popular, principalmente no Norte/Nordeste, que lhe permite sonhar com a reeleição. O jogo que Dilma tem nas mãos é insuficiente para a vitória. Vai precisar de sorte, habilidade e que acreditem nos seus blefes.