Livre, influente e solto
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Livre, influente e solto

Jose Roberto de Toledo

18 Setembro 2017 | 00h40

É em 2017 que o MBL se consolida como principal movimento político virtual brasileiro, ultrapassando concorrentes como Vem Pra Rua e Movimento Contra Corrupção – todos projetados durante o processo de impeachment de Dilma. Deles, o Movimento Brasil Livre é o que mais provoca interações e mais cresce no Facebook, segundo a ferramenta CrowdTangle, da própria rede social. Mais importante: o MBL é o maior influenciador das páginas oficiais de candidatos a presidente, tanto contra quanto a favor.

Uma hipótese para explicar seu crescimento é que o MBL ampliou sua pauta. Partiu da política “stricto sensu” para pontificar sobre costumes, liberalismo econômico e segurança pública. Na página do MBL, Lava Jato não é mais prato principal. Críticas ao PT e a Lula ainda estão lá, mas dividem cada vez mais espaço com manifestações, por exemplo, contra a ação da Vigilância Sanitária que confiscou queijos e linguiça do estande da chef Roberta Sudbrack no Rock in Rio, por falta de selo de inspeção.

Dias antes, a curiosidade sobre o MBL bateu recorde na internet. Nunca tantas pesquisas foram feitas sobre a sigla do movimento no Google quanto depois que uma campanha nas mídias sociais provocou o encerramento prematuro da exposição “Queermuseu”, no Santander Cultural, em Porto Alegre. As 263 obras – algumas de artistas consagrados – abordavam o universo LGBTQ, mas foram tratadas pelos seus algozes como apologia da pedofilia.

O MBL diversificou a pauta, cresceu em popularidade e isso terá impacto ainda maior nas campanhas para as eleições de 2018 do que o movimento já teve dois anos antes. Basta ver a influência que a página do MBL no Facebook tem entre presidenciáveis.

No universo de publicações com a palavra “Doria” no Facebook ao longo de 2017, o MBL foi, de longe, o maior responsável por comentários, likes e compartilhamentos: 8 milhões de interações – quase o dobro das provocadas pela página oficial do próprio João Doria. O movimento ajudou o pré-candidato a presidente pelo PSDB 80 vezes mais do que projetou o concorrente direto do prefeito paulistano. O MBL provocou apenas 100 mil interações com publicações que tinham a palavra “Alckmin” no seu conteúdo.

A propaganda a favor nem é o tipo de ação virtual na qual o MBL mais se destaca. Nos mesmos oito meses e meio, o Brasil Livre foi responsável por 16,9 milhões de interações e 52 milhões de visualizações de vídeos que continham a palavra “Lula” – não eram propriamente elogios. Apenas a página oficial do petista conseguiu superar a do MBL em quantidade de envolvimentos de internautas com o ex-presidente. E mesmo assim, só 17% mais.

Porém, a ação virtual do MBL não teve relevância, até agora, para as interações envolvendo outro dos mais bem colocados presidenciáveis nas pesquisas de intenção de voto. A página do Brasil Livre não aparece nem entre as Top 10 mais influentes nas publicações que trazem a palavra “Bolsonaro” no Facebook.

Foram 1 milhão de likes, compartilhamentos e comentários, mas esse número se dilui entre dezenas de outros movimentos virtuais que são apoiadores muito mais entusiasmados do deputado e militar aposentado. Quando o assunto é Bolsonaro, o MBL perde em influência para páginas com bem menos seguidores no Facebook, como SomostodosBolsonaro, Oposição Zuera e Rio Conservador.

O MBL não é o único influenciador nas campanhas virtuais, não é o que tem mais seguidores no Facebook, nem o que mais publicações faz. Mas se tornou um aliado cobiçado por candidatos majoritários. É o exemplo mais evidente de um novo tipo de cabo eleitoral cada vez mais importante – até por ficar à margem da fiscalização da Justiça eleitoral.