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Datafolha mostra Dilma de volta aos 38% e indica estabilidade

Jose Roberto de Toledo

03 julho 2014 | 04:35

Nada indica que a intenção de voto da presidente Dilma Rousseff (PT) tenha crescido após o início da Copa do Mundo, assim como nada indicava que ela havia caído antes de o campeonato começar. A pesquisa anterior do Datafolha foi um ponto fora da curva – talvez porque foi feita em meio a uma série de greves e manifestações que alteraram o perfil de quem passa pelos pontos de fluxo usados pelo instituto.

O levantamento desta semana do Datafolha difere do anterior, e leva a presidente de volta ao patamar em que ela estava na pesquisa de maio do mesmo instituto: era 37%, agora é 38%. O ruído foi a pesquisa de junho, que deu 34% para Dilma. Indicativos de que esse foi um ponto extraordinário são dois levantamentos do Ibope feitos um pouco antes e logo depois: mostraram a presidente com 39% e 38%, respectivamente.

Se levarmos em conta as oito pesquisas de Ibope e Datafolha feitas desde abril, todas apontam Dilma entre 37% e 39% das intenções de voto – com exceção do levantamento do Datafolha de junho. Se não foram causados por um problema metodológico, os 34% foram um espasmo fugaz e sem consequência.

A média das pesquisas feita pelo Estadão Dados aponta estabilidade desde abril, com a presidente na casa dos 37%, Aécio Neves (PSDB) com 21%, e Eduardo Campos (PSB) com 10%. Há 9% de eleitores dispersos entre os candidatos nanicos, e o restante – cerca de um quarto do eleitorado – não tem candidato, seja porque diz que vai anular/votar em branco, ou porque simplesmente não sabe responder.

A evolução da média confirma a tendência de que haja segundo turno, porque a soma dos adversários dá 40% das intenções de voto, tornando improvável que Dilma obtenha maioria absoluta no primeiro turno. Os eleitores que saíram do grupo dos sem candidato migraram maciçamente para a oposição. E entre os que permanecem dizendo que vão anular, a maioria avalia mal o governo Dilma. Se votarem em alguém, não deve ser nela.

A questão agora é se essa estabilidade das intenções de voto que dura três meses vai continuar no período da ressaca pós-Copa: uma janela em que a propaganda governamental estará proibida e que se estenderá de 14 de julho a 19 de agosto, quando começa o horário eleitoral no rádio e na TV.

A dúvida se deve ao fato de que, apesar de o mau humor da opinião pública ter diminuído por causa do sucesso da Copa, os indicadores de percepção da economia, como os índices de confiança do consumidor e de medo do desemprego da CNI (Confederação Nacional da Indústria), continuam piorando. E eles têm forte correlação com a popularidade presidencial.

A Copa é uma grande distração para boa parte do eleitorado. Ela alivia desconfortos do dia-a-dia e quase monopoliza a atenção do público. Assim, retarda eventuais repercussões políticas do aumento do pessimismo econômico. Mas por quanto tempo? O suficiente para que haja uma reversão de expectativas? Só as pesquisas feitas ao longo de agosto dirão.