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Quem Faz

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO é jornalista. Escreve uma coluna semanal sobre política no Estado, coordena o Estadão Dados e é presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)

quinta-feira 06/08/15 19:26

Datafolha: 40% dos petistas acham governo Dilma ruim ou péssimo

No dia do programa de TV do PT, o Datafolha revela que a maior parte dos petistas acha o governo Dilma ruim ou péssimo: 40% - contra apenas 32% que avaliam a gestão da companheira de partido como boa ou ótima. Outros 27% a classificam de regular. É a principal novidade da pesquisa, porque há menos de dois meses a opinião dos simpatizantes do PT era inversa: 40% diziam que o governo era ótimo/bom, e 25%, ruim/péssimo. Logo, foram os ...

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segunda-feira 06/04/15 01:06

A morte da inocência

O assassinato de um menino de dez anos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro e a aprovação preliminar pelo Congresso da redução da maioridade penal colocaram, tragicamente, a infância no centro do noticiário. Dois fatos aparentemente desconexos, a centenas de quilômetros um do outro, mas que se complementam para explicitar como o Brasil trata parte de suas crianças. Pela dita ordem natural das coisas, os filhos deveriam enterrar os pais. Mas esse é um conceito moderno. Durante milênios da história ...

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sábado 04/04/15 01:03

A corrupção sem graça

Ministro da Fazenda, Joaquim Levy disse, em inglês, que “no Brasil, a maioria das empresas não gosta de pagar impostos”. E completou: “Nem quer pagar contribuição previdenciária”. Doleiro e cagueta, Alberto Youssef tem opinião sobre o tema: “Neste país, empresário não consegue nada se não tiver lobby”. Delata sua própria experiência. No caso de Levy, espera-se que não. Nenhum dos dois se referia à Operação Zelotes, mas poderiam. “Quem paga imposto são os coitadinho (sic), quem não pode fazer acordo, ...

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quarta-feira 01/04/15 19:27

Maioria perdeu esperança de o governo melhorar

Ao alinharmos as pesquisas Ibope e Datafolha sobre avaliação do governo Dilma Rousseff, vemos que repetiu-se em 2015 o fenômeno de acumulação de tensões e explosão abrupta da insatisfação – como ocorrera em 2013. A diferença é que, desta vez, a avalanche foi mais ampla e profunda. Atingiu camadas que antes resistiram à onda de criticismo. Agora, a avalanche não apenas soterrou a popularidade da presidente. Ela corroeu a esperança da maioria da população de que ela possa vir a recuperá-la.

Se recordes 64% acham a segunda gestão Dilma ruim ou péssima – igualando o ponto mais baixo do governo Sarney – e 76% avaliam que ela está pior do que foi no seu primeiro mandato, 55% dizem que o restante será também ruim ou péssimo. O pessimismo dobrou desde dezembro, e é o principal obstáculo para a presidente. Quando traduzidas para a economia, as previsões negativas tendem a se autorrealizar, pois inibem consumo e investimento.

Daí a necessidade de Dilma aprovar a qualquer custo o ajuste fiscal no Congresso – o que levou-a a engolir as críticas veladas do ministro Joaquim Levy, e fez o ex-presidente Lula ir a uma reunião com sindicalistas da CUT e militantes do PT para tentar vender o ajuste ortodoxo para sua base política.

O desmoronamento da aprovação de Dilma em 2015 vai mais fundo do que em 2013 porque solapou as bases de apoio à presidente entre os mais pobres (60% de ruim/péssimo entre quem tem renda familiar mensal até 1 salário mínimo), entre os menos escolarizados (56% de ruim/péssimo) e no Nordeste (55%). São segmentos que votaram em peso nela em 2014, em 2010 e em Lula.

Ao final da campanha eleitoral de 2014, Dilma tinha saldo de 22 pontos na opinião pública. Foi o fato de ter mais gente achando seu governo ótimo ou bom (42%) do que ruim ou péssimo (20%) que permitiu a ela reeleger-se. Mas logo após o pleito ela começou a perder prestígio. Seu saldo caiu para 13 pontos em meados de dezembro. A virada aconteceu ao longo de janeiro, pois no começo de fevereiro Dilma já tinha saldo negativo de 21 pontos. Foi a menos 49 pontos há duas semanas e chegou a menos 52 agora.

Nenhum presidente brasileiro após a ditadura desceu abaixo dos 53 pontos negativos de saldo que Sarney conseguiu em julho de 1989, segundo o Ibope. Dilma é candidata a tomar-lhe o recorde.

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segunda-feira 30/03/15 19:30

A base movediça de Dilma

A perda de rumo do governo afetou a bússola dos partidos. Desde o mensalão que as bancadas partidárias na Câmara dos Deputados não mostram tanta falta de coesão interna. Sem o magnetismo do Executivo, os parlamentares perderam seu Norte e vagam a esmo nas votações. Há deputados do mesmo partido com taxas de governismo tão díspares quanto 29% e 100%. Mais do que nunca, a chamada base governista virou base movediça. Que, no Brasil, quase todos os partidos se norteiam pelo ...

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sábado 28/03/15 19:33

O atropelamento das ideias

Partidarizar toda e qualquer ideia equivale a classificar, obrigatoriamente, cada proposta, programa ou pessoa como petista ou anti-petista. É um jeito fácil de simplificar o mundo, mas transforma debate em bate-boca, sufoca a argumentação sob o coro das torcidas e desintegra a sociedade ao dividi-la em guetos. Além de tudo, é suicida, pois inviabiliza os próprios partidos. Nunca, desde o fim da ditadura militar, tão poucos brasileiros se identificaram com uma agremiação partidária. O Datafolha mostrou que 3 a cada 4 ...

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sábado 21/03/15 19:41

De achacados e achacadores

Se o Twitter servisse de termômetro, Cid Gomes teria se saído menos pior aos olhos do público do que Eduardo Cunha, no bate-boca entre o ex-ministro da Educação e o presidente da Câmara dos Deputados. Na mundo real, Cid perdeu o cargo por causa de quem chamou de achacador. No virtual, o peemedebista teve uma menção positiva para sete negativas - segundo levantamento do Ibope DTM. No caso do cearense a proporção também foi negativa, mas “só” de 2 para ...

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segunda-feira 16/03/15 19:51

Idos com março

Contagem da PM à parte, tinha uma multidão na avenida Paulista ontem. Muito mais do que na sexta-feira. Tinha coxinha, sim. Mas também tinha quibe, empada e ovo colorido. Nunca se viu tanta fila nas bilheterias do Metrô num domingo. Talvez porque o neo usuário não tem bilhete único - e, quem sabe, se solidarizará pelo aperto no transporte coletivo a partir da nova experiência. Tinha gente pedindo intervenção militar, desenterrando slogans de 1964 e xingando a presidente, como tinha ambulante ...

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sábado 14/03/15 19:53

O ponto de não retorno

Mais de uma pesquisa telefônica sobre o governo Dilma Rousseff encontrou, nas últimas semanas, taxas de “ótimo/bom” inferiores a 10% e, mais grave, maioria de avaliações “ruim/péssimo”. Em todas, o saldo de popularidade da presidente supera os 40 pontos negativos entre quem tem telefone fixo em casa. Quanto mais recente a pesquisa, maior o déficit. O poço vai mais fundo. Desconte-se a omissão dos sem-telefone - entre quem ela costumava sair-se melhor. Ainda assim, a impopularidade de Dilma só é comparável ...

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