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Quem Faz

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO é jornalista. Escreve uma coluna semanal sobre política no Estado, coordena o Estadão Dados e é presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)

segunda-feira 17/11/14 00:30

Política concreta

Poucas empresas são mais generosas com campanhas eleitorais do que as empreiteiras cujos presidentes e diretores passaram o fim-de-semana em Curitiba, como hóspedes da Polícia Federal. Juntas, doaram mais de R$ 180 milhões nas eleições de 2014, segundo levantamento de Rodrigo Burgarelli, do Estadão Dados. E a fatura vai aumentar. Faltam prestações de contas do 2º turno. Os alvos de tanta contribuição desinteressada estão em todos os partidos que contam - e até em alguns que não contam. A ...

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segunda-feira 10/11/14 00:55

A melhor política do mundo

Eleição após eleição, o sistema político brasileiro gasta mais dinheiro arrecadado junto a um grupo menor de empresas para eleger um Congresso cada vez mais disperso e menos funcional. A síntese extraída do resultado das urnas e da prestação de contas dos partidos pelo Estadão Dados é dura só na aparência. O sistema é tão bom que quem é do ramo não quer mudá-lo. Fácil entender por quê: é eficiente, eficaz e lucrativo. O Congresso a ser empossado em 2015 será ...

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segunda-feira 03/11/14 02:56

A política no gueto

“Não conheço ninguém que tenha votado em Dilma. Como ela pode ter sido eleita?” Tal pergunta, frequente nas redes sociais, animou 2,5 mil pessoas a irem à rua pedir o impeachment da recém-reeleita e, em alguns casos, defender a volta da ditadura militar. O questionamento à legitimidade do pleito também está nas entrelinhas do pedido de “auditoria” da eleição presidencial feito pelo PSDB à Justiça eleitoral. Embora diferentes em tom e propósito, são simbólicos - tanto a suspeição do resultado das ...

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quarta-feira 29/10/14 21:04

Dilma e a mão do PMDB

Screen Shot 2014-10-29 at 21.03.24

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A mão direita, trêmula, move-se com o indicador esticado até o primeiro botão, no alto à esquerda, do teclado da urna eletrônica. Titubeia por um instante e desce para a tecla imediatamente abaixo. Pressiona-a e vai para o botão à direita. Aperta novamente: 4 + 5. Aparecem na tela da urna as fotos de Aécio Neves (PSDB), sorridente, e de Aloysio Nunes (PSDB), de terno preto. A mão desce até a tecla verde e confirma: “Fim”.

Quando o dono da mão deixa a cabine de papelão, vê-se pregado na lapela do seu paletó caqui o adesivo da campanha de reeleição de Dilma Rousseff (PT). Na foto, a presidente está ladeada pelo seu candidato a vice – e presidente do PMDB-, Michel Temer. A cena está registrada em vídeo e publicada no Youtube.

A assessoria do senador José Sarney (PMDB) nega que a mão pertença ao ex-presidente da República – apesar das evidências em contrário no vídeo da TV Amapá. Um assessor disse ao repórter Chico de Gois, de O Globo, que isso é “jogo sujo” da política local. Lembrou que a maior diferença da petista sobre Aécio foi na terra natal dos Sarney, o Maranhão: 79% dos votos válidos.

O episódio veio a público, através das redes sociais, no mesmo momento político em que o PMDB de Sarney e Temer impingia à presidente a primeira derrota na Câmara após sua reeleição. Não foi uma derrota qualquer nem o momento foi fortuito. Os peemedebistas escolheram tema e ocasião para maximizar o simbolismo. Cancelaram um decreto presidencial que cria formas de participação e representação popular fora do Congresso.

Foi um recado de que o PMDB pretende manter o comando da Câmara e do Senado na próxima legislatura e de que não aceita compartilhar seu poder com mecanismos de consulta popular – como por exemplo fazer uma reforma política via plebiscito, como a presidente propôs em seu discurso de vitória.

Por um acordo que parece ter caducado, PT e PMDB se alternariam na presidência da Câmara. Os petistas elegeram a maior bancada, mas os peemedebistas se articulam com outras siglas para montar um bloco, passar o PT e fazer Eduardo Cunha presidente em 2015.

O presidente comanda a pauta de votação. Foi o atual, Henrique Eduardo Alves (PMDB), que pôs para votar o projeto que anula o decreto de Dilma. Ele perdeu a eleição para o governo do Rio Grande do Norte e, pela primeira vez em quatro décadas, não terá uma cadeira na Câmara a partir do próximo ano. Não pretende ficar sem gabinete, porém. Foi seu jeito de exigir compensação.

Esse foi só um round da luta por nacos de poder em curso na Brasília pós-eleição. Aproveitando o discurso de divisão do País e o crescimento eleitoral da oposição, os peemedebistas estão tentando estender para os próximos quatro anos de governo Dilma o papel de fiel da balança que exerceram na campanha, quando alugaram seu tempo de propaganda na TV à campanha petista.

Demonstrações de força agora são uma maneira de alavancar maior participação na distribuição de ministérios e cargos nas estatais e afins. Esses cargos implicam a gestão de contratos e verbas, obviamente. É a velha tática de criar dificuldades para vender facilidades. A mão que bate é mesma que afaga.

Importa pouco o que o cidadão Sarney faz na intimidade da urna – mesmo que essa intimidade e o direito ao sigilo do voto tenham sido quebrados pelas câmeras de TV. O cidadão pode votar de acordo com sua preferência pessoal. Já o político tem que cumprir acordos, principalmente aqueles com quem não simpatiza, mas, por conveniência, apoia. Por comparação aos demais caciques peemedebistas, o ex-presidente é dos mais leais a Dilma.

Ele não será mais senador em 2015. Seu afilhado Edison Lobão não deverá ser mais o ministro das Minas e Energia. Por isso, não seria surpresa se Sarney emplacasse outro ministério no quarto governo do PT – mesmo que sua mão tenha votado no PSDB.

PS: o último parágrafo deste texto foi alterado depois de ter sido publicado. A versão original era assim:
Ele não será mais senador em 2015. Seu afilhado Edison Lobão não deverá ser mais o ministro das Minas e Energia. Por isso, não seria surpresa se Sarney virasse ministro da Cultura no quarto governo do PT – mesmo que sua mão tenha votado no PSDB.

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domingo 26/10/14 22:13

Seis e meia dúzia

Milhões nas ruas protestando; sete em cada dez eleitores declarando desejo de mudança no governo. O cenário no qual transcorreram as eleições de 2014 prenunciava uma transformação profunda da política brasileira. O resultado não poderia ser mais contrastante. O Congresso Nacional terá poucas caras novas e com sobrenomes velhos. Os Estados continuam sendo governados, na imensa maioria, pelos mesmos caciques de sempre. E Dilma Rousseff (PT) segue sendo presidente do Brasil, após derrotar o PSDB no segundo turno: 2002, 2006 ...

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sábado 25/10/14 20:15

Abstenção volta a importar para definição do resultado

Dilma Rousseff (PT) é favorita para ganhar neste domingo. É o que mostram o Ibope e - ainda que na margem de erro - o Datafolha. Mas é possível garantir que a presidente vai se reeleger? Não. O movimento pró-Dilma parou dois dias antes da eleição - numa campanha marcada pela volatilidade do eleitorado. Voltou a haver chance de a abstenção definir o resultado. A vantagem da presidente refluiu para uma diferença de seis pontos, no Ibope. Está fora da ...

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quinta-feira 23/10/14 19:13

Alta homogênea de Dilma diminui divisão no País, mostra Ibope

O movimento do eleitorado em direção à candidatura de Dilma Rousseff (PT) ao longo da última semana foi homogêneo: ela cresceu em quase todos os segmentos demográficos e em quase todas as regiões. Além de diminuir a divisão geográfica e social do eleitorado, é sinal de que o crescimento da petista é consistente. As pesquisas Datafolha feitas entre uma e outra sondagem do Ibope apontaram na mesma direção: foi um movimento contínuo pró-Dilma, denotando uma tendência do eleitorado. Para além dos ...

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quarta-feira 22/10/14 04:27

Datafolha: Dilma conta com a inércia; Aécio, com o imponderável

Dilma Rousseff (PT) oscilou mais um ponto e segue em alta. Segundo o Datafolha divulgado nesta madrugada de quarta, ela foi de 43% na semana passada, para 46% na segunda-feira e chegou agora a 47% dos votos totais. Aécio Neves (PSDB) ficou nos mesmos 43%, para onde caiu dos 46% alcançados no começo do segundo turno. Nos votos válidos não houve mudança: 52% a 48% para a petista, taxas iguais às de segunda. Isso é facilmente explicável pelos arredondamentos. A ...

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segunda-feira 20/10/14 20:26

Crescimento ajuda Dilma mas abstenção pode atrapalhá-la

Na reta final da eleição os movimentos do eleitorado tendem a ser mais importantes do que os números. E o crescimento de Dilma Rousseff (PT) identificado pelo Datafolha é semelhante ao captado por outras pesquisas. Embora consistente, o movimento é lento - nada a ver com a rápida queda de Marina Silva (PSB) que acabou beneficiando Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno. Qualquer previsão sobre vitoriosos ou derrotados é precipitada. A diferença entre os dois candidatos a presidente é tão ...

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