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Quem Faz

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO é jornalista. Escreve uma coluna semanal sobre política no Estado, coordena o Estadão Dados e é presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)

segunda-feira 22/12/14 00:10

Pobre empreiteira rica

Fonte: transparencia.gov.br

  [caption id="attachment_7284" align="alignnone" width="525"]Fonte: transparencia.gov.br As dez empresas que mais receberam pagamentos diretos da União até outubro de 2014[/caption]   Que pena das empreiteiras! Não porque as maletas carry-on levadas por executivos seus para dentro da carceragem da Polícia Federal mostraram-se pequenas para o mês em que lá estão. Dá pena das empresas. Não faz tanto tempo, grandes construtoras reinavam em dois rankings públicos e notórios: os dos ...

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quarta-feira 17/12/14 18:56

Ibope: Popularidade de Dilma volta ao nível pré-campanha eleitoral

Ibope Dilma

Ibope Dilma Como costuma acontecer quando o governante é um dos candidatos, a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) melhorou entre setembro e outubro, durante a campanha eleitoral - o suficiente para reelegê-la. Acabada a propaganda diária no rádio e na TV, a taxa de bom e ótimo presidencial voltou ao patamar pré-campanha. É o que mostra pesquisa Ibope-CNI divulgada nesta quarta-feira. Hoje, 40% dos brasileiros consideram o governo Dilma ótimo/bom, segundo a ...

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segunda-feira 15/12/14 00:10

Poço flamejante

A presidente Dilma Rousseff (PT) sobreviveu à primeira onda oposicionista para tirá-la do cargo ao qual foi reconduzida pelas urnas. A conjugação do seu sobrenome com a palavra impeachment entrou em baixa nas redes sociais e, principalmente, nas buscas via Google. O binômio Bolsonaro-estupro, por exemplo, provocou muito mais interesse dos internautas na semana passada. Talvez o Natal seja menos turbulento para Dilma do que foram as semanas subsequentes à sua reeleição, mas o ano novo promete um céu escuro como ...

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segunda-feira 08/12/14 01:58

Sua Exª, a circunstância

A margem de manobra quando Dilma Rousseff (PT) começou a governar, quatro anos atrás, era 3 vezes maior que a atual. As pesquisas já divulgadas mostraram saldo positivo de avaliação da presidente pouco acima de 20 pontos. Foi suficiente para reelegê-la, mas não basta para fazer o que quer, com quem quiser e do jeito que bem entender no seu segundo mandato. Dilma não mudou, mas suas circunstâncias sim. E isso faz toda a diferença.

É esperado que, sem a propaganda diária na TV, a taxa de ótimo e bom do governo Dilma – como a de qualquer governo após passar a eleição – oscile um pouco para baixo. Isso faria a presidente começar o novo governo com um terço do saldo de popularidade com que iniciou seu primeiro mandato. Ou seja: uma terça parte da gordura que tinha para queimar quando chegou ao poder em 2011.

Em março daquele ano, três meses após Dilma vestir a faixa presidencial, 56% achavam seu governo bom ou ótimo. Só 5% diziam que era ruim ou péssimo. O saldo manteve-se na zona de alto conforto pelo menos até junho de 2013, pré-manifestações. Foram dois anos e meio de bonança, que permitiram à presidente fazer o que queria, com quem quisesse e do jeito que bem entendesse.

É provável que circunstâncias favoráveis até demais tenham alimentado arroubos de autossuficiência e voluntarismo. Aprovação alta de cara, antes de realizar algo além de gastar a herança, tende a mimar o estreante. Acostuma mal. Custa caro.

Mesmo após a avalanche de junho de 2013 quase zerar sua popularidade e estimular desejos de renovação no eleitorado, Dilma resistiu a se adequar ao novo cardápio de possibilidades políticas. Criou novidades como o Mais Médicos, mas insistiu em mais do mesmo na economia. Quando veio a eleição, precisou ajustar o discurso e sinalizar mudanças. Passou raspando.

A perda de capital político custou a Dilma não apenas o susto na eleição, mas um processo eleitoral interminável. Derrotada quatro vezes seguidas, a oposição tenta compensar a falta de votos alimentando um terceiro turno nas páginas, nas ruas (com pouco êxito), no Congresso (com algum sucesso, mas só por causa do PMDB) e nos tribunais (onde deposita sua maior esperança).

A tentativa de vender derrota como vitória não exime – ou não deveria eximir – o PSDB de se perguntar como perdeu a eleição presidenciável mais fácil que teve pela frente desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994. Sim, porque a eleição de 1998 foi ganha contra o desejo majoritário de mudança, e as derrotas de 2002, 2006 e 2010 se explicam pelo cenário pró-PT.

O PSDB perdeu em 2014 porque errou no diagnóstico e, por consequência, na estratégia. Não priorizou a economia (ao priorizar corrupção, inflação, saúde e educação, não priorizou nenhuma), pregou só para convertidos, não fez nada para deixar de parecer elitista, além de continuar culpando o eleitor, principalmente o do Nordeste, por não votar no partido.

Há quem veja na volta da equipe econômica palocciana uma vitória do discurso eleitoral tucano. É Natal e há quem acredite também em Papai Noel. A dupla Levy-Barbosa na Fazenda-Planejamento mostra que Dilma enfim cedeu às circunstâncias. O duplo fusível que ela instalou no comando da economia reduz as chances de a presidente se queimar se as coisas derem errado. Um dos futuros ministros se queimará antes, e poderá ser trocado pelo outro. Mas fusível, sozinho, não previne incêndio.

Para sobreviver ao terceiro turno, a petista, à diferença de 2011, terá que administrar escassez em vez de abundância. O pequeno saldo de popularidade pode se transformar em déficit quão mais rapidamente ela repetir práticas do primeiro mandato. A margem é estreita, e a presidente parece ter notado.

Por ora, as circunstâncias falaram mais alto do que Dilma – para surpresa dos circunstantes. Foi necessário. Será suficiente?

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segunda-feira 17/11/14 00:30

Política concreta

Poucas empresas são mais generosas com campanhas eleitorais do que as empreiteiras cujos presidentes e diretores passaram o fim-de-semana em Curitiba, como hóspedes da Polícia Federal. Juntas, doaram mais de R$ 180 milhões nas eleições de 2014, segundo levantamento de Rodrigo Burgarelli, do Estadão Dados. E a fatura vai aumentar. Faltam prestações de contas do 2º turno. Os alvos de tanta contribuição desinteressada estão em todos os partidos que contam - e até em alguns que não contam. A ...

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segunda-feira 10/11/14 00:55

A melhor política do mundo

Eleição após eleição, o sistema político brasileiro gasta mais dinheiro arrecadado junto a um grupo menor de empresas para eleger um Congresso cada vez mais disperso e menos funcional. A síntese extraída do resultado das urnas e da prestação de contas dos partidos pelo Estadão Dados é dura só na aparência. O sistema é tão bom que quem é do ramo não quer mudá-lo. Fácil entender por quê: é eficiente, eficaz e lucrativo. O Congresso a ser empossado em 2015 será ...

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quarta-feira 29/10/14 21:04

Dilma e a mão do PMDB

Screen Shot 2014-10-29 at 21.03.24

Screen Shot 2014-10-29 at 21.03.24 A mão direita, trêmula, move-se com o indicador esticado até o primeiro botão, no alto à esquerda, do teclado da urna eletrônica. Titubeia por um instante e desce para a tecla imediatamente abaixo. Pressiona-a e vai para o botão à direita. Aperta novamente: 4 + 5. Aparecem na tela da urna as fotos de Aécio Neves (PSDB), sorridente, e de Aloysio Nunes (PSDB), de terno preto. A ...

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domingo 26/10/14 22:13

Seis e meia dúzia

Milhões nas ruas protestando; sete em cada dez eleitores declarando desejo de mudança no governo. O cenário no qual transcorreram as eleições de 2014 prenunciava uma transformação profunda da política brasileira. O resultado não poderia ser mais contrastante. O Congresso Nacional terá poucas caras novas e com sobrenomes velhos. Os Estados continuam sendo governados, na imensa maioria, pelos mesmos caciques de sempre. E Dilma Rousseff (PT) segue sendo presidente do Brasil, após derrotar o PSDB no segundo turno: 2002, 2006 ...

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sábado 25/10/14 20:15

Abstenção volta a importar para definição do resultado

Dilma Rousseff (PT) é favorita para ganhar neste domingo. É o que mostram o Ibope e - ainda que na margem de erro - o Datafolha. Mas é possível garantir que a presidente vai se reeleger? Não. O movimento pró-Dilma parou dois dias antes da eleição - numa campanha marcada pela volatilidade do eleitorado. Voltou a haver chance de a abstenção definir o resultado. A vantagem da presidente refluiu para uma diferença de seis pontos, no Ibope. Está fora da ...

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