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Quem Faz

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO é jornalista. Escreve uma coluna semanal sobre política no Estado, coordena o Estadão Dados e é presidente da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)

sábado 29/06/13 14:12

Nunca houve uma queda de popularidade como a de Dilma

Não há precedente na curta história desde a redemocratização brasileira de uma queda tão abrupta da popularidade de um presidente quanto a experimentada por Dilma Rousseff nas últimas três semanas. Considerado apenas o saldo da avaliação do governo (ótimo+bom descontado de ruim+péssimo), a presidente perdeu 2 pontos por dia entre 7 e 28 de junho, segundo o Datafolha. A velocidade da queda da popularidade de Dilma tem sido 3 vezes mais rápida do que foi a vivida por Luis Inácio Lula ...

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sexta-feira 28/06/13 18:10

Confiança do consumidor em queda explica desgaste de Dilma

O INEC (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor) de junho é o mais baixo do governo Dilma. Ele ajuda a explicar a queda de popularidade da presidente, porque há uma forte correlação estatística entre o saldo de aprovação presidencial e a confiança do consumidor. Pior: projeta piora da avaliação. A queda do INEC significa que não basta Dilma Rousseff dar uma resposta política às demandas da rua. Há um problema mais amplo e com implicações muito mais graves para sua reeleição: ...

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segunda-feira 24/06/13 07:22

O pós-protesto

Mesmo antes de o gás lacrimôgenio baixar, algumas consequências da onda de manifestações são visíveis. A saber: 1) Dilma Rousseff está pagando o pato. A presidente não era o alvo das manifestações tempestivas, mas virou seu para-raios. Sua popularidade caiu e continua caindo. No IndiPop do Estadão Dados, que faz uma média de pesquisas de avaliação divulgadas ou não, seu saldo de aprovação (ótimo+bom menos ruim+péssimo) caiu 18 pontos desde março. Apenas na semana passada, foi de 45 para 40 pontos. Os ...

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terça-feira 18/06/13 18:14

Protesto-ônibus

São Paulo está na vanguarda dos protestos. Foi o local da primeira manifestação, dos primeiros atos de vandalismo, do primeiro bombardeio da polícia, do recuo público dos governantes, do confronto entre os manifestantes e, agora, da tentativa de fazer os jovens voltarem da rua para o Facebook.

Mas depois que a pasta de dentes saiu do tubo é impossível colocá-la de volta. A decisão do Movimento Passe Livre de não convocar mais protestos é simbólica. E só. O efeito prático é quase nulo. Porque o vácuo de lideranças já está sendo preenchido por inúmeras tentativas de apropriação do movimento – à direita e à esquerda, e, obviamente, pelos próprios políticos.

O protesto do ônibus virou um protesto-ônibus de reivindicações personalizadas. Mais do que difusas, são díspares. É o skinhead neofascista ameaçando a militante feminista. É o punk anarquista querendo invadir a sede do governo tucano enquanto o filho de pai rico quebra a sede da prefeitura petista. É o revoltado de casaco de couro mordendo bandeira vermelha na avenida Paulista.

Daqui para frente, dois cenários são possíveis: o movimento sucumbe sob o peso das próprias contradições, ou as marchas se dividem em rumos opostos e fins antagônicos – o que pode multiplicar a violência. No primeiro cenário, uns perdem mais que outros, mas não há nocaute. No segundo, tendem a ganhar – se tiverem êxito – as forças que conseguirem restituir a ordem.

São Paulo foi vanguarda também na segunda-feira quando o movimento tomou pelo menos três rumos diferentes, antecipando a falta de objetivos comuns. A diferença é que se os diversos braços dos protestos voltarem a se encontrar daqui para frente, não é provável que seja com a mesma harmonia demostrada sobre a ponte estaiada na noite de segunda. As diferenças vão aparecer.

No rastro dos passantes fica o ressentimento com o sistema partidário, o germe da ideia sedutora mas perigosa de democracia direta, e os escombros de bens públicos – entre eles, a imagem dos políticos e a popularidade de governantes.

Perde mais quem tem mais a perder. Se um partido tem de 20% a 30% de preferência dos eleitores e os outros não chegam a 10%, essa sigla é o grande perdedor da proposta – feita na tribuna do Senado por Cristovam Buarque (PDT-DF) – de “abolição de todos os partidos políticos oficiais”. Não à toa, parte de um ex-petista.

O PT deu um tiro no pé quando aquietou os movimentos sociais para não atrapalhar sua estadia no poder. Perdeu capacidade de mobilização e o protagonismo nas ruas. “Onda vermelha” por ora, só em hashtag do Twitter de seus burocratas.

Não há mais unanimidades aparentes. As contradições da sociedade brasileira mais do que aparecer, começaram a se manifestar. Fica difícil para a presidente agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo. As aspirações dos emergentes não são as mesmas dos que emergiram há décadas. O interesse de quem pegou o ônibus agora conflita com o de quem já estava sentado junto à janela.

Dilma perdeu aprovação de cima para baixo na escala de renda. Terminou o flerte com a classe média estabelecida, típico da primeira metade do mandato. E a separação é litigiosa.

O declive por onde escorrega a popularidade da presidente aumentou com os protestos. Como eles, vai das metrópoles para o interior. Está concentrado no centro, mas respinga na periferia. Ainda é incerto onde vai parar, qual o tamanho do bastião de sua resistência. Para sua sorte, Dilma tem capital para gastar.

Como o poder não admite vácuo, rivais de dentro e fora do governo aproveitam os protestos para desgastar esse capital mais rapidamente – com um olho no agora e outro em 2014. Ainda é cedo, mas os cartazes das ruas vão acabar desaguando em slogans eleitorais. Do “volta Lula” ao “Joaquim Barbosa presidente”, não faltará quem tente pegar carona no protesto-ônibus.

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segunda-feira 17/06/13 14:30

A falência dos políticos

Balas de chumbo e borracha tomaram o lugar da política na resolução de conflitos entre o Estado e segmentos da sociedade no Brasil. Índios, manifestantes e jornalistas acabaram do lado errado dos canos das armas da polícia - enquanto autoridades se escudavam atrás de microfones na segurança de seus gabinetes. A inapetência das lideranças políticas brasileiras não distingue partidos. Nem prefeito, nem governador, nem sequer um vereador deu a cara nas cenas de conflito para tentar mediar impasses. Passaram a responsabilidade ...

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segunda-feira 10/06/13 14:34

Sangue na água

O governo, através de seu líder, Arlindo Chinaglia (PT-SP), calcula que só 150 deputados são fiéis à presidente Dilma Rousseff. É menos de 30% da Câmara. Parece pouco, mas é muito. O Basômetro mostra que a fidelidade canina à presidente é menor. Bem menor. No seu primeiro ano de governo, Dilma podia contar com 306 deputados federais e 37 senadores em nove de cada dez votações de interesse do governo no Congresso. Em 2013, esse "núcleo duro" de apoio está reduzido ...

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