Renan pode usar autoconvocação para avançar com medidas anti-Lava Jato

Vera Magalhães

01 Dezembro 2016 | 08h50

Premido pela pressa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode usar a autoconvocação do Congresso em dezembro e janeiro, já anunciada por ele, para pautar as matérias que têm como objetivo frear as investigações da Lava Jato.

Estão nesse pacote, o projeto, alterado pela Câmara, das 10 Medidas de Combate à Corrupção, e outro, de sua autoria, que modifica a lei de abuso de autoridade para tornar mais severas punições a juízes e procuradores.

Tanto senadores quanto procuradores da República avaliam que a ação de Renan na tarde de quarta-feira, quando tentou fazer aprovar em plenário um pedido de urgência para que o projeto vindo da Câmara fosse votado ainda nesta madrugada, se deve ao fato de ele saber que seu tempo à frente do Senado está acabando — e, com ele, a margem de manobra para comandar a pauta da Casa de acordo com seus interesses.

“Só isso, o desespero, justifica alguém precavido e experiente como Renan se expor da maneira como se expôs”, disse um senador após a tumultuada sessão de ontem.

Procuradores da República observavam que, com a pressa de Renan, a autoconvocação pode se transformar, na verdade, “num esforço concentrado para aniquilar a Lava Jato antes de ser homologada a delação da Odebrecht”.

De acordo com esses procuradores, a apreensão generalizada dos congressistas se deve ao temor do que está por vir nas mais de 70 colaborações de delatores e lenientes (aqueles que apenas colaboram com as investigações) ligados à empreiteira.