Por foro, ministros devem ignorar ‘sugestão’ de Temer

Vera Magalhães

17 Abril 2017 | 18h25

Diferentemente do que disse o presidente Michel Temer, os ministros citados na Lava Jato não estão nem um pouco dispostos a pedir afastamento dos cargos por se sentirem “desconfortáveis” com a situação.

Reservadamente, alguns dos oito auxiliares do presidente que serão alvo de inquéritos no STF dizem que vão se defender nos cargos. A disposição inclui um cálculo: dos 8, apenas 3 manteriam o foro privilegiado se deixassem os postos. Os demais cairiam nas mãos do juiz Sergio Moro.

“É muito provável que alguns ministros achem que não podem continuar, sintam-se desconfortáveis no cargo e saiam dele”, disse Temer em entrevista na manhã desta segunda-feira à rádio Jovem Pan.

Só Blairo Maggi (Agricultura), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), que são senadores, e Bruno Araújo (Cidades), que é deputado conservariam o foro no Supremo caso se afastassem do Executivo.

Temer deixou claro que mesmo diante da extensão das delações da Odebrecht não pretende rever o critério de afastar temporariamente ministros denunciados pelo Ministério Público, e definitivamente aqueles que virarem réus em ação penal.

O cálculo dos ministros é que não haverá denúncia até o término do governo, o que lhes garante foro pelo menos até 2018.