Análise: Governo espera ‘trégua’ da Lava Jato no recesso

Vera Magalhães

19 Dezembro 2016 | 14h41

Com o Congresso e o Judiciários às vésperas do recesso, o governo Michel Temer espera ter uma “trégua” do avanço da Lava Jato para tentar se reequilibrar e se reestruturar politicamente para enfrentar um 2017 que promete ser tão duro quanto 2016.

Assessores diretos de Temer não deixam de citar as “férias” como um fator de redução da pressão das últimas semanas, quando revelações das primeiras delações de executivos da Odebrecht atingiram diretamente o presidente e alguns de seus aliados mais próximos.

A ideia é usar o recesso para, além de fazer um balanço positivo dos primeiros meses do mandato, mostrando principalmente um avanço na agenda legislativa, implementar outras medidas microeconômicas para tentar conter o avanço do desemprego e tentar estimular alguma retomada de investimento e crédito.

Além de medidas provisórias na área trabalhista, o governo deve anunciar medidas de regularização fundiária no campo e nas cidades ainda neste ano.

O Ministério da Fazenda resistiu até a semana passada à transformação do programa de proteção ao emprego em permanente, com uso de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), uma medida adotada por Dilma Rousseff e que não coaduna com a política adotada por Henrique Meirelles.

Mas o ministro cedeu diante da pressão do Planalto por mais medidas que indicassem algum incentivo à retomada da atividade econômica — pressão essa que se intensificou na mesma medida que a Lava Jato se aproximava do palácio e a popularidade de Temer despencava.

As férias da Lava Jato devem ser usadas, por fim, para uma reorganização da equipe de Temer. Uma reforma ministerial ampla, por ora, é mais um desejo do PSDB que uma decisão do presidente. Mas auxiliares próximos reconhecem que haverá a necessidade de estruturar a articulação política e a “cozinha” do Planalto.

A única preocupação é fazer isso de forma a que não se mexa no equilíbrio frágil entre os partidos da base aliada, que já estão em pé de guerra com a disputa pela presidência da Câmara.

*Análise originalmente publicada pelo Broadcast Político.