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Reforma agrária, para Dilma, é acabar com ‘favela rural’

Roldão Arruda

03 fevereiro 2013 | 21:34

A presidente Dilma Rousseff evitou o tema da reforma agrária na campanha de 2010 e deixou claro, desde que assumiu o governo, que está mais preocupada em garantir a melhoria dos assentamentos rurais já existentes do que em criar outros. Até circula em Brasília a informação de que lhe causam arrepios a expressão “favela rural” – usada para designar assentamentos mal sucedidos.

Por causa dessa visão da presidente, há uma certa expectativa em torno da visita que faz nesta segunda-feira, 4, ao assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas, no Paraná. Além de se tratar da primeira visita a um assentamento desde que chegou ao Planalto, os assentados dali são ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST), o mais empedernido defensor da política de se destinar mais áreas para a reforma.

Entre outros dirigentes, Dilma deve ser recebida em Arapongas pelo economista João Pedro Stédile, principal ideólogo da organização.

A presidente pode surpreender e anunciar alguma medida de agrado dos sem terra. Não é isso, no entanto, o que se pode deduzir da sua agenda.

Seu objetivo não é anunciar novos assentamentos ou desapropriações. Em primeiro lugar, ela vai inaugurar a Agroindústria de Leite da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran). Isso significa transferência de recursos para que os assentados transformem o leite de suas vacas em queijos, iogurte, requeijão, manteiga e doce de leite, e aumentem a sua renda.

Em segundo, aproveitando a ocasião, deve lançar o Terra Forte – programa cujo objetivo é o fortalecimento dos assentamentos já existentes, com mais recursos para a agroindústria em todo o País.

Enfim, surpresas à parte, Dilma parece continuar firme no propósito de acabar com as tais “favelas rurais”.

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