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PT perde espaço em todo o País, especialmente entre jovens

Roldão Arruda

17 julho 2013 | 20:36

O jornalista Ricardo Kotscho escreveu em seu blog que a reportagem que publiquei no Estadão, na segunda-feira, 15, sobre a perda de apoio ao PT  na periferia de São Paulo, após os protestos de junho, não destacou uma questão importante da pesquisa na qual o texto se baseou. Ele se refere à informação de que, mesmo com a queda, o partido, continua à frente dos concorrentes. Mesmo caindo de 34% para 22% da preferência, a legenda petista tem 8 pontos a mais que todos os outros juntos, com 14%.

De fato, essa diferença não é mencionada no texto. A informação está contida apenas no gráfico que o acompanha na edição impressa do jornal – e cujos números são utilizados pelo jornalista e ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazer seu comentário.

A esse respeito poderiam ser lembradas outras coisas, já conhecidas de analistas políticos. A primeira delas é que o único partido do País que pontua de maneira significativa nesta questão – quando se pergunta ao eleitor qual a sua preferência partidária –  é o PT. A pontuação dos outros é tão pequena que, considerando-se a margem de erro estatístico, nem chega a ser considerada para análises.

O peso do PT é tão forte no cenário político e eleitoral que, em alguns pleitos, o que se vê é a divisão entre os que apoiam o partido e sua políticas e os que são contra. Daí a atenção dada à variação do índice de preferência partidária envolvendo a legenda que surgiu no início da década de 1980 – a  partir de movimentos sindicais e populares. Daí também o destaque à desidratação do partido na periferia de São Paulo, onde, historicamente, reside o núcleo forte de seu eleitorado.

Para entender melhor a questão, vale notar ainda que não foi só em São Paulo e na periferia que o PT encolheu sob o efeito dos protestos de rua registrados em junho. Uma rápida pesquisa nos números acumulados pelo Instituto Datafolha mostram uma queda acentuada da preferência em todo o País, especialmente entre os jovens.

Chama a atenção o fato de o índice de preferência pelo PT ter deslizado, pela primeira vez nos últimos anos, para um nível abaixo de 20 pontos na preferência do eleitorado. A título de exemplo, pode-se pegar o resultado da pesquisa realizada pelo Datafolha no dia 31 de abril do ano passado e compará-la com a de 28 de junho deste ano, logo após a grande onda de protestos: a queda foi de 31% para 19%.

Quando se considera apenas os jovens, entre 16 e 24 anos, verifica-se uma desidratação mais intensa. Entre eles, a preferência petista desceu de 32% para 15% no mesmo período.

Se for tomado um período mais curto, a variação parece mais dramática. No dia 7 de junho deste ano, quando os protestos estavam começando, 24% dos jovens declaravam preferência pelo PT. Menos de um mês depois, no dia 28, como já se viu, o índice caiu para 15%.

Como ocorreu com os eleitores da periferia de São Paulo, a preferência não foi transferida para outros partidos. O que cresceu foi o descrédito com as legendas. No conjunto de entrevistados pelo Datafolha, os que declaram não ter preferência partidária passou de 51% para 64% entre abril do ano passado e junho deste ano. Entre os jovens a variação foi de 55% para 67%.

Uma última observação: todos esses números oscilam bastante, para cima e para baixo, especialmente entre os jovens. Não significam, portanto, uma situação irreversível. É um instantâneo, sob o efeito de situações conjunturais.

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