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PSC é o partido mais empenhado na guerra contra aborto

Roldão Arruda

26 fevereiro 2014 | 20:36

O presidente recém-eleito da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Assis do Couto (PT-PR), e o que está saindo, o pastor Marco Feliciano (PSC-PR) têm pelo menos um ponto de comum: os dois integram a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vida – Contra o Aborto.

Esse fato acabou trazendo de volta ao noticiário político a existência dessa frente, que agrega 165 deputados e 13 senadores. Ela se dedica sobretudo a monitorar as atividades do Congresso para impedir o avanço de qualquer projeto de lei que atenda, mesmo que remotamente, às reivindicações feministas em relação ao aborto. Vigia, entre outras coisas, todo movimento na área de saúde pública voltado para mulheres.

A frente também barra ações que possam favorecer homossexuais. Reúne católicos e evangélicos, sob a coordenação de Salvador Zimbaldi (PROS-SP), parlamentar que tem uma ligação histórica com os setores mais conservadores da Renovação Carismática Católica.

Do total de 23 partidos com assento na Câmara, 22 têm representantes na grupo antiabortista. Até o PC do B, que, segundo a tradição dos partidos comunistas, deveria ser ateu, está lá. O único que não faz parte, por convicção, é o PSOL.

Em termos absolutos, o PMDB é o partido com mais deputados na frente. São 24 peemedebistas. Em seguida aparecem PSD (17), PP (15), PSDB (14), e PT (13). Em termos proporcionais, porém, a legenda que demonstra maior empenho em ações para deter as reivindicações feministas é o PSC – conhecido abrigo de pastores eleitos com votos de evangélicos, entre eles o pastor Feliciano.

Da bancada de 13 parlamentares do PSC na Câmara, 10 integram a frente contra o aborto, ou seja, 77% do total. No caso do PMDB, que tem 75 deputados, a porcentagem é de 24%.

O quadro abaixo, produzido por Estadão Dados, mostra, em cada partido, o número de parlamentares que integram a frente e os que estão fora. Para ver os números basta passar o mouse sobre as colunas.

 

Voltando ao petista paranaense Assis do Couto, vale ressaltar que construiu sua carreira política defendendo a agricultura familiar e movimentos de defesa da reforma agrária. Desde que foi eleito para a presidência da Comissão da Direitos Humanos, porém, o aspecto mais destacado de sua biografia política tem sido a ligação com a frente contra o aborto.

É justificável. Em primeiro lugar porque o seu partido destacou-se no passado pela defesa dos direitos das mulheres e das minorias. Em segundo, porque esperava-se que a decisão do PT de retomar a presidência da comissão fosse significar, acima de tudo, uma guinada em relação à gestão de Feliciano, contestada desde o primeiro minuto por feministas e gays.

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