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Comissão da Verdade analisa papel das igrejas na ditadura

Roldão Arruda

06 novembro 2012 | 21:32

Brandindo a bandeira do combate ao comunismo, a Igreja Católica teve importante papel na preparação do golpe de 1964 e, mais tarde, na sustentação dos militares que sucederam o deposto presidente João Goulart. Anos depois, com o endurecimento do regime, setores progressistas da mesma igreja iriam atuar no sentido contrário, de crítica e combate à ditadura. Por causa disso, padres foram perseguidos, presos, torturados e mortos. Alguns bispos, como d. Paulo Evaristo Arns, d. Helder Câmara e d. Ivo Lorscheiter, tornaram-se símbolos da resistência ao arbítrio.

Esses dois momentos da Igreja Católica deverão ser analisados por um novo grupo de trabalho criado pela Comissão Nacional da Verdade. Ele será coordenado pelo professor Paulo Sérgio Pinheiro, um dos sete membros da comissão, e contará com o apoio de pesquisadores autônomos.

O papel de outras denominações cristãs no golpe e na resistência também será analisado pelo grupo. A primeira reunião deve se realizar nesta quinta-feira, 8, no Gabinete da Presidência da República em São Paulo.

“Tanto a Igreja Católica como algumas denominações evangélicas importantes realizaram um movimento semelhante, de apoio e distanciamento do golpe militar”, diz Pinheiro. “Esse é um tema pouco aprofundado na história entre 1964 e 1985. Setores dessas igrejas se destacaram tanto na resistência ao arbítrio, protegendo corajosamente as vítimas, como na colaboração com a repressão.”

Outros temas que já estão sendo analisados por grupos especiais da Comissão Nacional da Verdade são conflitos agrários, povos indígenas, mortos e desaparecidos políticos e a perseguição política aos militares que se opuseram ao golpe.

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