Contra chacinas, Anistia Internacional pede mudança na PM
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Contra chacinas, Anistia Internacional pede mudança na PM

Roldão Arruda

18 Julho 2013 | 17h53

Passados 20 anos da chacina da Candelária, na qual oito jovens foram mortos por policiais, as execuções extrajudiciais continuam ocorrendo no País. Suas principais vítimas são adolescentes negros e pobres. É o que lembra a Anistia Internacional, em nota divulgada hoje para lembrar a chacina, ocorrida na madrugada de 23 de julho de 1993.

Na avaliação da organização internacional, para conter as execuções é preciso que sejam investigadas e punidas por tribunais civis – não por tribunais especiais. Por outro lado, a formação policial, que permanece a mesma estrutura dos anos da ditadura militar, deve ser  reestruturada.

O texto diz: “A persistência da violência policial – ou daqueles que parecem agir com a autorização, apoio ou consenso do Estado – contra jovens, em particular negros e pobres, ressalta a importância de que as execuções extrajudiciais cometidas pela polícia sejam investigadas de forma imediata, imparcial, independente e julgadas por tribunais civis. A Anistia Internacional defende ainda que a formação e a capacitação das forças policiais sejam totalmente reestruturadas e estejam baseadas nos princípios dos direitos humanos, reconhecendo o direito à vida de todos e todas, em especial daqueles que vivem nas periferias e favelas das cidades.”


Entre os oito mortos na Candelária, seis eram menores de 18 anos. Quatro foram mortos a tiros, na escadaria da igreja. Um foi assassinado ao tentar fugir. Outro morreu dias depois em decorrência dos ferimentos. Dois foram levados de carro pelos criminosos até o Aterro do Flamengo, onde foram executados.

Segundo levantamento da Anistia, após a chacina da Candelária, foram registradas várias outras execuções semelhantes no País. Só no Estado Rio foram quatro, com 58 mortos. “Todas foram cometidas por policiais”, afirma a nota.

O texto lembra ainda que os três condenados pela chacina da Candelária cumpriram penas de prisão, mas já estão em liberdade. Todos eram policiais militares à época dos assassinatos. Outros seis suspeitos foram absolvidos, apesar de indícios preocupantes de seu envolvimento na chacina. Um deles, policial militar, foi morto em 1994 em uma troca de tiros com policiais civis da unidade anti-sequestro.

“Apesar de avanços, a impunidade tem sido a regra em casos relacionados às chacinas e outras formas de violência policial contra pessoas pobres no Brasil”, diz a Anistia.

Em memória do mortos, a Anistia realiza hoje e amanhã, dias 18 e 19, manifestações em frente à Candelária. Amanhã haverá uma marcha entre a igreja a Cinelândia.

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