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Comissão Municipal ouve delegado acusado de tortura e que era conhecido como JC – de Jesus Cristo.

segunda-feira 24/03/14

Era comum, entre os agentes públicos que trabalhavam nos serviços de informação e repressão política nos anos da ditadura, o uso de codinomes. O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou a seção paulista do Destacamento de Operações de Informações (DOI), era conhecido como Major Tibiriçá. O delegado Aparecido Laerte Calandra, policial civil que […]

Era comum, entre os agentes públicos que trabalhavam nos serviços de informação e repressão política nos anos da ditadura, o uso de codinomes. O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou a seção paulista do Destacamento de Operações de Informações (DOI), era conhecido como Major Tibiriçá. O delegado Aparecido Laerte Calandra, policial civil que também atuou naquele departamento, era o Capitão Ubirajara.

Na lista de codinomes, um dos mais curiosos era o do delegado Dirceu Gravina. Por causa de seus cabelos longos, ficou conhecido como Jesus Cristo, ou JC.

Apesar do nome, pesam contra ele acusações de violências cometidas contra presos políticos no período em que atuou no DOI de São Paulo, entre 1971 e 1972. Esse foi o motivo pelo qual a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog decidiu convidá-lo para prestar depoimento.

A audiência com o delegado, que confirmou a presença por meio de e-mail, está marcada para esta terça-feira (25), às 11 horas, na sede da Câmara, no Viaduto Jacareí, na região central da cidade. Segundo informações do presidente da comissão, vereador Gilberto Natalini, o delegado, ao receber o convite para depor, teria concordado imediatamente. “Ele disse que há muito tempo espera a oportunidade de dar sua versão para os fatos”, contou Natalini.

A Comissão Municipal não tem o poder de convocar testemunhas, como acontece com a Comissão Nacional. Se mudar de ideia, o delegado poderá não comparecer à audiência pública.

Em conversas anteriores com jornalistas, Gravina negou envolvimento direto em casos de tortura. Alegou que trabalhava no setor de análise das informações obtidas nos interrogatórios. Já disse que tentou, sem sucesso, deixar o DOI-Codi na época em que lá atuou.

A Comissão Municipal também programou para esta terça-feira os depoimentos das ex-presas políticas Lenira Machado e Rita Sipahi. Elas devem denunciar Gravina por torturas cometidas nas dependências do DOI-Codi, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (24), pela assessoria de imprensa da comissão.

As ex-presas serão ouvidas a partir das 9 horas da manhã. Logo em seguida será a vez de Gravina, que elas conheceram como JC.

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