Collor, Dilma e a Comissão da Verdade: convite merecido
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Collor, Dilma e a Comissão da Verdade: convite merecido

Roldão Arruda

12 Maio 2012 | 12h19

O convite que Dilma Rousseff fez ao ex-presidente Fernando Collor para participar da cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, no dia 16, provocou desconforto em setores à esquerda do PT e de familiares de mortos e desaparecidos. Nesse caso, porém, a zanga não procede.

Em primeiro lugar, porque Dilma quer mostrar que a Comissão não é uma iniciativa de seu governo, mas do Estado brasileiro, representado por ela e os ex-presidentes. Em segundo, porque Collor deu sua contribuição ao processo de abertura dos documentos da ditadura.

A contribuição dele já aparece em estudos daquele período. Um deles é a tese de doutorado que a cientista política Glenda Mezaroba defendeu na USP, com o título O Preço do Esquecimento: As Reparações Pagas às Vítimas do Regime Militar. Eis o que diz:

A devolução dos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Rio de Janeiro e de São Paulo, pelo presidente Fernando Collor de Mello (PRN), representou novo alento aos familiares. Afinal, só no arquivo de São Paulo, controlado pela Polícia Federal desde 1983, estavam guardadas 34 toneladas de papel entre 1,5 milhão de fichas, 14 mil dossiês e 150 mil prontuários, de brasileiros e estrangeiros.

Em seguida, a pesquisadora explica como cada Estado tratou do assunto:

Entregues ao governo do Estado de São Paulo em janeiro de 1992, os documentos só puderam ser consultados, pelo público em geral, dois anos mais tarde. Antes disso, e depois de muita negociação, apenas um pequeno grupo de pessoas, constituído por dez representantes de familiares, teve acesso a eles. No Rio as circunstâncias foram distintas. Repassados em agosto do mesmo ano, de imediato os arquivos do DOPS puderam ser examinados por integrantes do Grupo Tortura Nunca Mais.

 

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