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CNBB alerta para risco de enfraquecimento da ordem democrática

Em nota oficial, instituição que agrega os bispos católicos afirma que o País vive uma situação crítica. Também manifesta preocupação com os riscos de enfraquecimento do Estado democrático - conquistado com "luta e sofrimento"

Roldão Arruda

12 Março 2015 | 22h33

Em nota divulgada nesta quinta-feira,  12, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou preocupação diante do que qualificou como “delicado momento pelo qual passa o País”. Ao se referir às manifestações políticas que estão ocorrendo e que devem continuar nos próximos dias, o texto diz que são legítimas, “desde que se preserve a ordem democrática e se respeitem as instituições da comunidade política”.

O texto tem um tom de alerta. Diz que o País atravessa uma situação crítica, que, “negada ou mal administrada, poderá enfraquecer o Estado Democrático de Direito, conquistado com muita luta e sofrimento.”

Trata-se de uma referência clara à luta contra a ditadura, na qual a CNBB desempenhou importante papel.

Na entrevista coletiva na qual a nota foi divulgada, em Brasília, o presidente da instituição episcopal, dom Raymundo Damasceno, observou: “Depois de muitos anos difíceis pelos quais passamos durante o período do regime militar, creio que em nenhum momento deve ser quebrada essa ordem democrática.”

Quanto às manifestações públicas,  o presidente da CNBB disse que fazem parte da democracia e que as pessoas devem reivindicar seus direitos e manifestar insatisfações.

“Nós achamos legítimas, contanto que transcorram no respeito ao patrimônio público, ao patrimônio particular, às pessoas que participam das manifestações”, afirmou o cardeal.

A nota da CNBB, com o título Sobre a Realidade Atual do Brasil, também faz uma conclamação a todas as instituições para o diálogo e diz que a democracia pode sair fortalecida do atual momento político.

Diz o o texto: “Na livre manifestação do pensamento, no respeito ao pluralismo e às legítimas diferenças, este momento poderá contribuir para a paz social e o fortalecimento das instituições democráticas”.

REFORMA POLÍTICA

A CNBB não fala em impeachment. Menciona como sinais da situação crítica do País “o escândalo da corrupção na Petrobras, as recentes medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, a crise na relação entre os três Poderes da República e manifestações de insatisfação da população”.

O texto diz que os escândalos de corrupção merecem cuidadosa apuração e responsabilização dos envolvidos perante a lei. “Enquanto a moralidade pública for olhada com desprezo ou considerada um empecilho à busca do poder e do dinheiro, estaremos longe de uma solução para a crise vivida no Brasi”, afirma.

Entre as medidas que podem tirar o País da atual situação crítica, a CNBB cita “o fim do fisiologismo político que alimenta a cobiça insaciável de agentes públicos, comprometidos com a manutenção de interesses privados”; e “uma profunda reforma política que renove em suas entranhas o sistema político em vigor”.

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Para acessar o site da CNBB e ler a íntegra da nota, clique aqui.

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