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Quem Faz

Roldão Arruda é jornalista e repórter da editoria de política do Estadão. Dedica-se sobretudo à cobertura de temas relacionados a direitos humanos e questões de movimentos sociais. Já trabalhou nos jornais Movimento e Folha de S. Paulo e na revista Veja. É autor do livro 'Dias de Ira'.
domingo 30/03/14 18:33

Comissão Nacional da Verdade deve recomendar criminalização da homofobia

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Durante a audiência pública sobre Ditadura e Homossexualidade no Brasil, realizada no sábado (29), em São Paulo, o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, que representava a Comissão Nacional da Verdade, defendeu a criminalização de crimes homofóbicos. "Vinte e cinco anos depois da Constituição de 1988, não existe uma legislação que puna o delito de discriminação por homofobia”, disse Pinheiro, após ouvir relatos sobre recentes crimes contra homossexuais cometidos no País. "É mais do que tempo que o projeto de ...

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sexta-feira 28/03/14 22:40

Na OEA, índios acusam governo de usar lei da ditadura para barrar seus direitos

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O Estado brasileiro foi questionado por grupos indígenas e organizações não governamentais durante audiência realizada nesta quinta-feira (28) na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos. De acordo com esses grupos e organizações, o Estado tem recorrido sistematicamente ao uso de um mecanismo legal chamado suspensão de segurança para passar por cima de decisões judiciais contrárias aos seus interesses e barrar direitos de grupos afetados por megaempreendimentos, como a construção de hidrelétricas. Esse mecanismo legal, segundo ...

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sexta-feira 28/03/14 13:58

José Serra participa de evento sobre o golpe de 1964 e a UNE

O ex-governador José Serra (PSDB) participa, na terça-feira, 1.º de abril, de uma sessão especial da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo sobre o golpe de 1964. A sessão será dedicada à questão do movimento estudantil, que foi duramente perseguido pelo regime autoritário. Serra presidia a União Nacional dos Estudantes (UNE) no dia em que os militares depuseram o presidente eleito João Goulart. Imediatamente após o golpe, a sede da entidade, no Rio, foi incendiada. O evento do dia ...

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quinta-feira 27/03/14 22:23

Na ditadura, gays eram rejeitados pela direita e pela esquerda, afirma escritor e ativista gay

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João Silvério Trevisan decidiu deixar o Brasil em 1973, após a censura proibir a exibição do filme Orgia ou o Homem que Deu Cria, que ele havia escrito e dirigido. Ao voltar, três anos depois e ainda em plena ditadura, ajudou a criar o movimento gay no Brasil, esteve entre os fundadores e principais redatores do histórico jornal Lampião da Esquina e escreveu Devassos no Paraíso, um amplo painel sobre a questão da homossexualidade no País.

Na entrevista abaixo, Trevisan fala das perseguições sofridas pelos gays durante a ditadura e dos embates com os movimentos de esquerda. Segundo sua avaliação, o movimento gay era rejeitado pela esquerda, que não aceitava sua independência. “Eles eram autoritários e travados”, afirma.

Além de cineasta, Trevisan, hoje com 69 anos, é romancista, contista,  ensaísta e tradutor. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Você decidiu sair do Brasil no início da década de 1970, no meio de um dos piores períodos da ditadura, na vigência do AI-5. Foi uma decisão  relacionada à perseguição aos homossexuais?

Foi, indiretamente. Teve a ver com a proibição de meu filme, Orgia ou o Homem que Deu Cria, que envolvia a homossexualidade – não como questão de direitos, mas como vivência. Apresentei uma travesti, cenas sadomasoquistas, homens pelados, dentro de um esquema de provocação, que a ditadura entendeu. A censura proibiu o filme em sua quase totalidade, por considerá-lo obsceno. Diante disso, resolvi deixar o País, o que acabou tendo muitos efeitos colaterais positivos para mim.


Que efeitos?

Eu saí para o mundo. Eu e várias outras pessoas. Foi uma geração inteira que teve possibilidades de fazer trocas importantes lá fora e voltar para o Brasil em condições de discutir a nossa realidade sob uma ótica menos fechada do que a existente aqui. No meu caso foram importantes os contatos com os movimentos feminista, homossexual e contra o racismo, além da questão ambiental, que já estava em voga em Berkeley, na Califórnia, para onde eu fui em 1973.

Berkeley foi um dos principais centros de contestação política dos Estados Unidos.

Fui para lá de propósito. Eu queria assistir à queda do império americano. Havia acabado de descobrir coisas importantes na minha vida, entre elas, Rimbaud. Assim como ele tinha viajado para ver a queda de Paris, sob a Comuna (1871), fui para ver a queda do império americano. Não vi, mas conheci um outro lado do império, fascinante e fundamental. Tive contatos literários importantes e conheci a esquerda americana, a diversidade da New Left, que está na base da contracultura. Foi uma vivência extraordinária, que durou três anos.

E como foi a volta, com essa nova bagagem?

Isso me ajudou na fundação do movimento homossexual no Brasil. Começamos com o Grupo Somos, em São Paulo, e o jornal Lampião (circulou entre 1978 e 1981), no Rio. Logo no início o jornal teve problema com a ditadura. Fomos indiciados num inquérito, sob a acusação de ofensa à moral e aos bons costumes, por conta de uma matéria minha defendendo o jornalista Celso Kury, que já enfrentava processo, sob a mesma acusação. Fui fotografado na Polícia Federal com uma plaqueta no pescoço na qual estava gravado o número 024-0. A escolha do número não era por acaso.

Estava claro para você que era uma ação contra a homossexualidade?

Eles não sabiam muito bem o que era homossexualidade. Sabiam que era uma coisa ruim, mas não definiam bem. Quando chegamos lá na polícia, engravatados e acompanhados pelo advogado do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o cara perguntou: ‘Como devo chamar o senhor?’ Eu respondi: ‘Pode chamar de veado mesmo’. Acho que ele estava esperando uma travesti ou alguma outra coisa próxima do conceito dele do que seria homossexualidade. Num dos interrogatórios, começou a fazer perguntas como se eu fosse um guerrilheiro que tivesse ido para Cuba. Até o que o escrivão parou, os dois cochicharam e resolveram cancelar aquele interrogatório e marcar outro.

Pode falar do cenário que encontrou na sua volta?

Quando cheguei, estavam em plena florescência no País o Ney Matogrosso e os Secos & Molhados e os Dzi Croquettes – uma corruptela de The Cockettes, que existia em São Francisco. Era a esculhambação da esculhambação. Também encontrei uma quantidade espantosa de travestis nas ruas. Em três anos de ditadura, portanto, aconteceu uma coisa que nunca consegui entender. Como é que eclodiu esse fenômeno?

Que palpite você arriscaria?

Provavelmente essas reações radicais eram uma resposta à repressão. Ou seja: estávamos reagindo à repressão política de uma maneira política, mas que eles não entendiam bem.

Como acabou o inquérito sobre a matéria no Lampião?

Não levou a nada. O juiz disse que não havia provas contundentes de que havíamos atentado contra a moral e os bons costumes.

Que outro tipo de ação repressiva o jornal enfrentou?

A coisa mais próxima disso foram os folhetos espalhados pela cidade, quando começaram os atentados a bomba contra bancas que vendiam jornais alternativos, como Pasquim, Movimento, Opinião. O Lampião foi colocado no meio, apesar de viver escondido nas bancas. Os donos das bancas não expunham o jornal, porque era considerado uma coisa pornográfica.

Como foi a relação do movimento com a esquerda?

Por incrível que pareça, também tivemos embates com a esquerda. Se você considerar que a esquerda era a margem do que estava acontecendo, nós ficávamos à margem da margem. Éramos indesejados pela direita e pela esquerda. É interessante notar que toda a nossa postura, enquanto movimento social que reivindicava direitos, era de esquerda.

A ditadura não era o inimigo comum a todos? 

Na visão da esquerda tradicional, os movimentos sociais novos eram diversionistas, dividiam o movimento operário. Por essa visão, éramos minorias e deveríamos nos submeter à prioridade política, que era o movimento proletário. A realidade é que eles mal nos suportavam. Isso chegou às vias de fato durante um congresso do MR-8, quando algumas feministas apanharam. A nossa grande experiência da ditadura pode ser resumida assim: os generais eram horríveis e a esquerda, autofágica. Isso, infelizmente, está sendo pouco analisado. Ninguém está botando o dedo na ferida, para ver como era realmente a esquerda no período. É muito importante rever toda essa questão das prisões ilegais e injustas, das torturas, mortes, mas isso não é motivo para esquecer o que foi a esquerda.

Por que? Isso ajudaria a entender a esquerda hoje?

Sim. Os cacoetes das esquerdas do período formaram as esquerdas que vieram a tomar a poder, os governos de centro e de esquerda que se sucederam após a redemocratização. Isso teve um efeito muito danoso, porque não soubemos, na redemocratização, sequer reformar nosso Exército e a Polícia Militar. É um escândalo ver que, depois de 50 anos, do golpe militar, ainda existam pessoas dispostas a ir para a ruas manifestar apoio ao Exército que deu o golpe.

Como você vê a Lei da Anistia, de 1979?

Foi uma tentativa de se colocar uma pedra em cima de tudo o que ocorreu e deixar intocadas as velhas ideias. Aconteceu que essa pedra criou vermes, que começaram a se multiplicar. É a questão da sombra junguiana. O Jung diz que a sombra no interior da psique é perigosíssima, porque se desdobra, enquanto não chega à luz do consciente.

O que lembra das denúncias de perseguições promovidas pelo delegado Wilson Richetti, na década de 1970?

De fato, ele promovia perseguições. Ia ao gueto, às bocas, abria os camburões e mandava os veados entrarem. ‘Quem for veado vai entrando’, gritava. Era na porrada. Quem sofria mais eram as travestis. Em 1982, quando fizemos uma manifestação contra as ações policiais fomos reprimidos. Aquilo era consequência de uma coisa fascista e reacionária que vivíamos no País.

Os partidos políticos, as organizações de esquerda apoiaram essa manifestação?

Não. Veja você: na época das grandes manifestações operárias no ABC, os homossexuais foram ao Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, desfilar na comemoração do 1.º de Maio. Foi o momento do racha do Grupo Somos, porque uma parte dele, da qual eu fazia parte, se recusou a desfilar sob a bandeira da Convergência Socialista. Não queríamos ser confundidos com nenhum partido. Defendíamos a existência de um movimento autônomo. Mas, como eu dizia, uma parte foi ao encontro da classe operária, que estaria abrindo o caminho para o socialismo, nos abençoando para um novo mundo, etcétera e etcétera. Quando fizemos a nossa passeata, no entanto, para protestar contra o Richetti, não apareceu um único membro de sindicato, de partido político.

Nenhum?

Na verdade, o Suplicy (Eduardo Suplicy, na época deputado estadual, hoje senador pelo PT) apareceu. Ele acompanhou de perto a questão das travestis. Foi muito solidário. Mas era a exceção. Nossos aliados estavam ao nosso lado enquanto interessava a eles, não quando interessava a nós. Foi um aprendizado muito doloroso. Quero deixar claro que não estou desculpando a ditadura. Saí do País porque o clima era insuportável, porque nossos amigos estavam sendo mortos. Mas isso não me impede de analisar a esquerda.

Você sofreu alguma censura da esquerda?

Uma vez mandei para o jornal Movimento um artigo que era uma espécie de introdução à questão dos direitos dos homossexuais. O texto foi submetido aos censores da Polícia Federal, em Brasília, e vetado. O pessoal responsável pela edição do jornal me devolveu o artigo datilografado, explicando que tinha sido censurado. Ao verificar o original, porém, constatei que, antes de ir a Brasília, havia sido inteirinho riscado pelo editor do Movimento. Ele deixou só o que lhe convinha. Sobrou pouca coisa para o censor, que, mesmo assim, vetou. Posso dizer que fui submetido a uma dupla censura. As esquerdas eram autoritárias e travadas.

Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda

 

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quarta-feira 26/03/14 00:20

“A ditadura nunca se assumiu”, diz pesquisador

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Para o sociólogo Marcelo Ridenti, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas, a ditadura brasileira nunca se assumiu como ditadura. "Sempre tentou se mostrar como uma reação contra a ofensiva dos comunistas, uma reação para salvar a democracia", afirmou. "Como é que podiam fazer uma ditadura, se queriam a democracia? Não podiam se assumir no sentido explícito." As afirmações de Ridenti foram feitas na noite de terça-feira (25), durante uma das mesas do seminário ...

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terça-feira 25/03/14 19:20

Comissão quer que Alckmin afaste delegado apontado como torturador

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O presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV), anunciou nesta terça-feira (25) que vai encaminhar pedido ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que destitua do cargo o delegado Dirceu Gravina, lotado no Departamento de Polícia Judiciária Interior 8 (Deinter 8), em Presidente Prudente, interior do Estado. Segundo o vereador, “não é possível que uma pessoa sobre a qual pesam tantas acusações de torturas continue ocupando um cargo público, numa delegacia de polícia”. Natalini anunciou a ...

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segunda-feira 24/03/14 19:00

Comissão Municipal ouve delegado acusado de tortura e que era conhecido como JC – de Jesus Cristo.

Era comum, entre os agentes públicos que trabalhavam nos serviços de informação e repressão política nos anos da ditadura, o uso de codinomes. O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou a seção paulista do Destacamento de Operações de Informações (DOI), era conhecido como Major Tibiriçá. O delegado Aparecido Laerte Calandra, policial civil que também atuou naquele departamento, era o Capitão Ubirajara. Na lista de codinomes, um dos mais curiosos era o do delegado Dirceu Gravina. Por causa de seus ...

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segunda-feira 24/03/14 15:27

Comissão da Verdade convoca coronel para depor sobre “Operação Limpeza”

A Comissão Nacional da Verdade convocou o coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, para depor durante uma audiência pública que será realizada nesta terça-feira (25), no Rio. Em depoimento prestado voluntariamente à Comissão Estadual da Verdade do Rio, dias atrás, o coronel revelou que foi o comandante da chamada Operação Limpeza, que, na década de 1970, tinha a tarefa de desaparecer com os corpos de militantes políticos mortos sob tortura. Suas atividades também teriam se estendido à região ...

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sexta-feira 21/03/14 22:45

Torturadores arrancavam arcadas dentárias e cortavam dedos, para impedir identificação dos mortos

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Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade do Rio, o coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, acaba de dar importante contribuição para se entender melhor como a ditadura mutilou e desapareceu com os corpos de presos políticos. Segundo o coronel, para evitar que fossem encontrados, os agentes dos serviços de repressão jogavam os mortos em rios, em sacos impermeáveis e com pedras de peso calculado. Isso impedia que afundassem ou flutuassem. Em casos de morte recente, o ventre da vítima ...

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