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Shannon: WikiLeaks é ‘tentativa de colapsar’ decisões de governos

Camila Tuchlinski

10 Dezembro 2010 | 14h41

Anne Warth

O embaixador do Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse hoje que o site WikiLeaks é uma “tentativa de colapsar a capacidade dos governos de tomar decisões corretas”. Ao visitar a sede da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP), Shannon afirmou que a iniciativa do WikiLeaks é “perigosa”.

“A meu ver, o WikiLeaks é uma tentativa de colapsar a capacidade de governos de tomar decisões acertadas. Isso é  perigoso”, disse. Para o embaixador, todas as pessoas, organizações e governos precisam de espaço de confidencialidade. Ele questionou os benefícios advindos de uma política de transparência total e comparou a divulgação de informações confidenciais de governo às da vida particular de cada cidadão.

“Estamos trabalhando num mundo pós-WikiLeaks. Eu poderia perguntar a todos vocês (advogados e jornalistas) o que vocês achariam se alguém batesse em sua porta hoje para dizer que tem gravações de todas as suas conversas com sua esposa e que está disposto a publicá-las. Vocês pensariam que essa transparência é algo útil ou ruim”, questionou.

“Eu sei como eu reagiria. Cada um de nós, pessoas, organizações, governos, precisa de espaços de confidencialidade para trocar opiniões e informações, fazer avaliações e análises e, com base nisso, tomar decisões.” Na avaliação dele, o colapso da confidencialidade limita a capacidade de tomar decisões e realizar ações com êxito. O embaixador norte-americano disse ainda que a intenção do governo dos Estados Unidos, ao manter informações sob sigilo, é promover o bem-estar do povo.

Shannon afirmou que a quantidade de informações sigilosas é muito pequena em comparação com aquilo que é divulgado. Ele comparou os Estados Unidos e o Brasil e disse que os dois governos não atuam de maneira “opaca”. Shannon disse que o direito à confidencialidade não representa uma ameaça à liberdade de imprensa e de expressão.

“São as nossas instituições – o Congresso e os tribunais – que determinam a política de confidencialidade. Não é o Executivo que determina. O Executivo simplesmente atua dentro de estruturas de leis”, afirmou Shannon. “O Congresso tenta balancear o direito do povo de entender o que o governo faz e a necessidade de guardar alguma informação, uma porcentagem bem pequena, para o bem-estar do Estado e do povo.”

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