Réus do caso Celso Daniel acusam polícia de tortura para confessar crime
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Réus do caso Celso Daniel acusam polícia de tortura para confessar crime

Redação

10 Maio 2012 | 14h48

Ricardo Chapola, do estadão.com.br/Atualizada às 15h08

Os réus Ivan Rodrigues da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e José Edison da Silva, acusados de participação no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002, disseram ter sofrido tortura por parte da Polícia Militar. Os três também citaram o nome do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT responsável por acompanhar o caso nos seus depoimentos. As revelações foram feitas durante os respectivos interrogatórios. O julgamento, que teve início às 11 horas no Fórum de Itapecerica da Serra (SP), está em fase de debate entre defesa e acusação.

Segundo o relato dos acusados, a Polícia Militar teria usado de métodos de tortura para conseguir a confissão dos réus no momento da prisão. Eles também disseram que foram ameaçados por Greenhalgh.

Depois dos interrogatórios dos três primeiros acusados, os advogados do outros dois réus Itamar Messias dos Santos Filho e Elcyd Oliveira Brito se retiraram da sessão alegando tempo insuficiente para a argumentação da defesa. Cada um dos cinco acusados tem direito a 30 minutos para a defesa conforme a divisão de tempo determinada pelo tribunal. O julgamento dos últimos dois foi adiado.

Depoimentos. Ivan, que supostamente seria o responsável pela coordenação do grupo criminoso, negou qualquer tipo de envolvimento com o assassinato do prefeito. Ele afirmou que seu advogado, Marco Aurélio, não estava na delegacia quando foi detido e que foi ameaçado por Greenhalgh no ato da prisão. Alegou também não ter tido direito de ler os papéis que assinou ao ser levado pela polícia.

O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, porém, afirmou que seu depoimento era contraditório. O magistrado afirmou que Ivan narrou o assassinato de Celso Daniel quando depôs em Taubaté.

Ivan admitiu conhecer Rodolfo e Itamar antes do crime, mas disse que não sabia quem era Dionísio Aquino Severo, suposto sequestrador de Celso Daniel, que foi morto por uma facção rival antes de ser ouvido sobre o crime. Quando foi a vez da promotoria questioná-lo, preferiu o silêncio.

O segundo a falar foi José Edison, que teria sido o responsável por providenciar o cativeiro e, segundo o Ministério Público, teria sido um dos autores dos disparos para executar o petista. O réu disse desconhecer os motivos pelos quais foi envolvido no processo, uma vez que havia levado a esposa para fazer um tratamento na Bahia. Afirmou não conhecer Ivan, que, contraditoriamente, disse em seu depoimento conhecê-lo.

José Edison também citou Greenhalgh – disse que o ex-deputado se passou por seu advogado quando foi detido. Questionado pelo promotor se queria explicar porque não trouxe a esposa a depor em favor de sua defesa, respondeu afirmativamente e disse que não queria que ela o visse nas condições atuais.

Rodolfo também disse que não pode ler os papeis que assinou no ato de sua detenção, que ocorreu quando acabara de voltar da Bahia. Negou conhecer Dionísio e afirmou ter conhecido José Edison somente após ser preso. Não quis se explicar à promotoria.

O réu foi o único cujo advogado se pronunciou. Respondendo às perguntas da defesa, disse ter ido à Bahia visitar os avós junto a Itamar e afirmou não ter confessado o crime para a Polícia Federal. Ele atribuiu o envolvimento de seu nome no caso porque conhecia alguns membros da quadrilha.

Rodolfo foi um dos que mais se queixou dos mau tratos da polícia. Em seu depoimento, também disse que os réus estavam sem comer desde a noite da terça-feira – a exceção de si mesmo, que jantou na quarta. Segundo ele, os acusados só tomaram café da manhã nesta quinta porque o juiz autorizou.