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Padilha diz que ministério do Turismo deve explicação sobre documento de entidade fantasma

Camila Tuchlinski

10 Dezembro 2010 | 12h53

Leonêncio Nossa

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que cabe ao Ministério do Turismo esclarecer a aprovação de convênios de R$ 3,1 milhões chancelados por um documento com sua assinatura usado por um instituto fantasma.

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Padilha afirmou que sua equipe trabalha de “forma rigorosa”. Foto: André Dusek/AE

Padilha repetiu várias vezes, na entrevista, que a assinatura foi “escaneada” de documentos públicos na internet e disse não se lembrar do telefonema de sua ex-assessora Crisley Lins, que afirmou ao Estado ter entrado em contado com ele para pedir a assinatura atestando a idoneidade dessa entidade. “Eu não assinei essa declaração. Eu não me lembro se houve ou não houve (a ligação), quem deve mostrar se houve não sou eu, não lembro da ligação”, afirmou o ministro.

Padilha disse desconhecer os representantes do Instituto Brasil de Arte, Esporte, Cultura e Lazer (Inbrasil), que conseguiu a liberação da verba no Ministério do Turismo utilizando o documento com a sua assinatura. “Não conheço, não conheço. Nem os nomes que o senhor citou e nem a entidade”, disse.

Em relação a Crisley Lins, ele confirmou que ela começou a trabalhar na presidência desde 1997 e na pasta comandada hoje por ele a partir de 2006. Hoje, ela trabalha no gabinete do deputado Paulo César (PR-RJ), um dos parlamentares que repassou emendas para eventos realizados pelo Inbrasil. Padilha evitou críticas à ex-assessora. Na entrevista, o ministro relatou que comunicou ontem o caso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu sindicância interna na pasta de Relações Institucionais e pediu à Polícia Federal uma investigação.

Padilha afirmou que sua equipe trabalha de “forma rigorosa”. O ministro foi questionado sobre os processos de segurança e fiscalização do governo que, no episódio do Imbrasil, autorizou a liberação de recursos levando em conta um documento que, segundo o próprio Padilha, apresenta “evidente montagem”. “Acho que vocês devem procurar o Ministério do Turismo para ver a finalidade do documento lá, quando foi apresentado”, respondeu, com o cuidado para não deixar claro suas críticas a colegas de governo. “O que eu declarei ontem ao Ministério do Turismo é que não assinei o documento.”

O ministro disse que o anexo de PDF enviado pelo Estado a ele, ontem, com a declaração “destoa completamente do padrão de documentos” que assina e saem de seu gabinete. “Quero saber quem fraudou e montou um documento com assinatura de um ministro de Estado”, afirmou. “A minha assinatura é disponibilizada na rede mundial de computadores.”

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